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Videogame: será que já é hora?

videogame

imagem: shutterstock

 

Eu fui destas crianças que cresceu jogando videogame, fiquei fascinada quando joguei no primeiro Atari, “assoprei” muito cartucho de Master Sistem III e Mega Drive, passei horas (talvez dias ou semanas) “presa” em fases difíceis de Sonic e Mario Bros e, quando fui morar sozinha, claro que no meu apartamento tinha um PlayStation I e depois o II.

Apesar de ter crescido em contato com o videogame, ele nunca foi uma coisa viciante, nunca me privou de fazer outras atividades com os amigos ou a família, ele sempre foi, apenas, mais uma opção de entretenimento dentro de casa, tudo sob controle.

Quando conheci meu marido (ainda namorado) claro que os videogames faziam parte da infância dele também e assim, quando fomos morar juntos e depois, nos casamos, tínhamos um console de PlayStation II aqui que era uma diversão para dias frios e às vezes, rolava até uns “campeonatos” de alguns jogos com vários amigos reunidos, ou seja, o videogame nunca foi o tipo de coisa que nós, como pais, proibiríamos os nossos filhos.

Daí, quando o Pedro nasceu, nosso PlayStation ficou “encostado” em um canto, não havia tempo para brincar com ele quando se tinha um bebê e tantas novidades para dar conta, o videogame aqui de casa só era usado quando nosso afilhado vinha dormir por aqui e com o tempo, os jogos foram ficando ultrapassados, o console ficou ultrapassado e no fim, ninguém mais nem sabia por onde andava o bendito. Nós havíamos, enfim, nos tornado “adultos”! hehehe

Quando o Pedro tinha quase 12 meses, ele teve seus primeiros contatos esporádicos com jogos eletrônicos e aplicativos, via IPad. Aqui em casa, não se jogava mais videogame de console mas, sempre fomos apaixonados por tecnologia e por isso, foi muito natural pra gente aderir aos tablets e smartphones com aplicativos, jogos e tudo mais.

O Pedro já nasceu em um mundo (e uma casa) completamente tecnológico e eu sempre achei isso muito natural e é claro, sempre me preocupei com a quantidade de estímulo, contato e tipo de contato que ele tinha com este mundo eletrônico.

Quando a Catarina nasceu, tudo do mesmo jeitinho: eu controlava o que e por quanto tempo e ambos sempre puderam assistir filminhos no IPad, jogar joguinhos no meu celular e toda esta tecnologia sempre foi minha aliada na educação das crianças.

Um dia, o Pedro conheceu o videogame de console na casa do primo mais velho e daí, ficou fascinado por aquele tipo de brincadeira que tinha um controle específico.

Eu e o marido nos lembramos do antigo PlayStation aqui de casa e fomos procurá-lo, pra apresentar ao Pedro mas, descobri que ele ainda não estava preparado para os joguinhos. Primeiro porque, ele era muito novo mesmo (cerca de 3 anos e meio) e depois, porque os joguinhos que tínhamos aqui em casa não eram indicados para a idade dele.

Como ele continuava a pedir, de tempos em tempos, o bendito videogame “de controle” eu comecei a pensar quando seria a hora certa de permitir que o meu filho tivesse este tipo de brinquedo e mais, será que faria mal? Por quanto tempo eu poderia deixá-lo brincar com isso? Qual o melhor videogame para crianças?

Na minha infância, o videogame era sim uma constante, praticamente todos os meus amigos tinham e eu também mas, precisamos concordar que, o desafio para nós, pais e mães do século 21 é muito maior do que foi para os nossos pais.

Vivemos um mundo em que se fala sobre “gameficação” de praticamente tudo logo, descobrir como equilibrar isto de forma saudável na vida dos nossos filhos é sim uma preocupação muito importante, pelo menos para mim.

Com tudo isso na cabeça, resolvi ir pesquisar e consultar especialistas para entender quais seriam os reais perigos dos jogos eletrônicos para as crianças e descobri que, ao contrário do que eu já havia ouvido falar, os jogos de videogame, em “pequenas dosagens”, fazem sim muito bem às crianças. Eles podem ajudar a  desenvolver habilidades de estratégia, agilidade, raciocínio e mais uma porção de outras coisas.

Porém, como tudo na vida, o segredo está no equilíbrio das experiências que você pretende proporcionar ao seu filho. De uma forma bem resumida, eis o que eu descobri:

– Psicólogos, pediatras e neurologistas concordam que, o ideal é que a criança tenha seu primeiro contato com um videogame à partir dos 4 anos de idade. Antes disso, elas não tem maturidade para lidar com os hardwares (a parte física da coisa: controles, CDs, console, fios…) e nem com as dificuldades dos jogos e imagens apresentadas.

– O ideal é que as crianças não excedam 1 hora de jogos por dia, os pais precisam estar atentos para que as crianças não deixem de cumprir outras tarefas como, lição de casa, trabalhos escolares ou, que façam tudo sem prestar atenção ao que fazem apenas para correr para o videogame, ou seja, supervisão sempre!

– Outra coisa muito importante é que os pais comprem jogos adequados à faixa etária da criança, jogos violentos ou de terror devem ser evitados para não causar pavores nem ansiedade.

Depois de analisar todos os prós e contras, decidi que sim, eu daria um videogame para o meu filho porém,  somente quando ele tivesse a idade adequada e ainda assim, as brincadeiras seriam sempre controladas e supervisionadas. Além disso, resolvi esperar que a Catarina também tivesse idade suficiente para brincar disso antes de trazer o videogame de volta para minha casa.

Pra mim, não fazia o menor sentido comprar “briga” com a mais nova presenteando o mais velho com algo que só ele poderia brincar. Como a diferença de idade deles é bem pouca (apenas 2 anos), esperei o Pedro completar 7 anos e a Cacá 5 anos para, finalmente, o Papai Noel atender este pedido!

Na hora de escolher o tipo de console que ele traria pra cá, levei em consideração preços, modelos e jogabilidade. Optei por investir em um tipo de console que atendesse a família toda, já que, eu e o papai também adoramos estes joguinhos e o brinquedo acabaria se tornando de toda a família mesmo.

Descobri que o Nintendo Wii é o console que oferece mais opções de jogos educativos e infantis, a maioria deles têm uma interface bem simplificada, é bastante intuitivo e por isso, facilita para as crianças. Como eu e o papai também somos “jogadores”, descartamos este console pois, não gostamos muito das opções de jogos adultos.

Acabamos optando pelo Xbox 360 que, além de ter uma vasta gama de jogos com os mais variados temas, o console também permite acessar a internet e mantermos a conta, por exemplo, da NetFlix, acessar conteúdo do YouTube e da Internet sem precisar conectar e desconectar outras funções da TV, foi o eleito!

Com o console escolhido, era hora de encontrar jogos para as crianças! Minha primeira preocupação foi compreender a classificação etária e ter certeza de que ela era segura. Desde 2001 o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificações (DEJUS) do Brasil, é o responsável por analisar e classificar os jogos de videogames que chegam por aqui, a tabela funciona assim:

jogos xbox 360

Esta indicação precisa estar impressa na capa do joguinho e mesmo para a compra online, a imagem precisa estar disponível ou, constar na descrição técnica do produto. Fique atenta!

Além de olhar a classificação etária, preferi deixar os joguinhos violentos e de lutas bem longe das crianças e encontrei 5 joguinhos bem bacanas, que são simples de jogar, têm excelentes gráficos e toda a família se diverte:

1 – Lego Marvel Super Heroes

Classificação: Livre

Meninos e meninas fãs de super-heróis vão amar encontrar todo o universo Marvel em um único lugar! O ambiente de jogo é todo construído de Lego, os heróis e vilões são de Legos e os desafios são basicamente pequenos saltos e habilidades específicas de cada super herói, construir coisas com pecinhas espalhadas pelo cenário e usar a fantasia de herói correta para cada dificuldade.

lego marvel superheroes

2 – Disney Castle of Ilusion

Classificação: Livre

Quem jogou Mega Drive na infância, vai adorar rever este clássico remodelado com gráficos muito mais bonitos e os mesmo desafios de Mickey para salvar Minnie de uma bruxá má. Seguindo o padrão Disney, muita magia, nada de violência e de grandes dificuldades.

disney castle of ilusion

3 – Rayman Legends

Classificação: Livre

O Rayman e seus amigos viajam por mundos incríveis como: uma floresta cheia de plantas esquisitas e perigosas, o lixo de um restaurante, o mundo do “Dia de Los Muertos” e muitos outros incríveis. Tudo super colorido, divertido e simples. Os cenários lembram os desafios do amado Sonic!

rayman legends

4 – Disney Infinity

Classificação: Livre

O mais legal deste jogo é que, ele vem com bonequinhos de verdade que, quando conectados ao console, passam a fazer parte do jogo. Imagine ter a sua boneca Elsa “vivendo virtualmente” na sua TV? Com os jardins de Arendelle e todo o gelo? Ou ser o Capitão Jack Sparrow e viver aventuras de pirata? Depois, você desconecta o boneco e vai soltar a imaginação com ele pela casa!

disney infinity

5 – Kinect Sports Gems

Classificação: Livre

Para quem quer incluir maiores movimentos na brincadeira, o Kinect (que é um acessório vendido separadamente) oferece opções de jogos que precisam que o jogador posicione-se em frente a TV e realize movimentos como, lançar uma bola de basquete, chutar para o gol ou rebater uma bola de tênis.

jogo2

Quando o Pedro abriu o presente do Papai Noel e viu que finalmente tinha ganhado o videogame com tantos joguinhos legais eu percebi outra coisa, precisava já deixar claro pra ele as “regras” de utilização do novo brinquedo. Aqui em casa funciona assim:

– Videogame só aos finais de semana e apenas 2h por dia. Durante as férias eu deixei 2x por semana por 1h cada, talvez esteja muito rígido mas, observando ele e a irmã jogarem, achei melhor assim já que, eles ficam bem ansiosos e frustrados quando não atingem os objetivos das fases dos jogos.

– Apesar de ter sido ele a ganhar o presente do Papai Noel, toda a família pode brincar, inclusive (e principalmente) a irmã dele!

Até agora, minhas “regras” têm funcionado, ele aceita que só pode brincar aos finais de semana e mesmo quando fica bravo porque o tempo acabou, a frustração dura apenas alguns minutos e ele já vai brincar de outra coisa.

Eu não sei se estou completamente certa, se as minhas “regras” são as melhores para crianças mas, na minha família, tem funcionado muito bem assim e, eu acredito de verdade que a tecnologia é nossa aliada e não inimiga!

Se usada com segurança, equilíbrio, supervisão e principalmente, se você se envolver com a brincadeira, não há o que temer! Os jogos de videogame podem ser uma “desculpa” para reunir-se com os antigos e novos amigos, com os primos, afilhados e garantir boas risadas e dias para ficar na memória!

E vocês, o que acham dos jogos de videogames para crianças, a favor ou contra?

Bjs ;)

PS: Eu e o papai também estamos usufruindo muito deste presente do Papai Noel, como nossos jogos são mais violentos e com cenas não adequadas, deixamos sempre para jogar a noite, quando as crianças estão dormindo! #ficadica hehehe

Fontes consultadas:

Revista Veja, edição 2095, 14/01/09, “Tecnologia na idade certa”

 xbox.com/gameratings

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Comentários

3 comentários via blog

  1. Carolina Vilar comentou em

    O meu marido é o típico nerd. Temos todos os consoles em casa. Ou seja, o Bruno lida com eles desde muito pequeno. Claro que jogos violentos só quando o Bruno não está presente mas meu marido gosta tanto de jogar que o brincamos que os consoles são como filhos.
    O Bruno adora o lego Marvel e o Disney Infinity. E o Kinect é diversão para família toda.
    Se ele quiser pode jogar todo dia mas ele não joga. Prefere jogar bola e acaba por opção dele jogar aos fins de semana ou em dias de chuva.
    Bjs

  2. Alessandra comentou em

    Esses jogos citados acima, tb podem ser jogados no xbox one?

    1. Loreta Berezutchi respondeu Alessandra em

      Oi Alessandra, alguns deles sim! Precisa pegar exatamente qual você quer e verificar se tem versão para o One! Os de Lego tem, todos! ;)