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Quando eles crescem…

Quando a gente nasce no “mundo mãe” a primeira coisa que a gente já descobre é que a partir daquele momento, suas decisões nunca mais serão suas! Elas serão pra sempre influenciadas pelo o que é melhor para os filhos, e nem sempre isso significa que elas sejam exatamente o que você queria.

Viver no mundo mãe significa fazer concessões o tempo todo, estar sempre em último lugar na lista de prioridades mas então, acontece uma coisa: eles crescem!

Eles crescem e você vai se tornando cada vez mais “acessório”, você ainda é a pessoa que proporciona tudo o que eles precisam: casa, comida, roupa, suporte emocional e até carinho mas agora, a relação deixa de ser tão desproporcional.

Quer dizer, se você estiver fazendo um bom trabalho, os seus filhos vão precisar cada vez menos de você. Eles saberão se vestir, se alimentar, se proteger, se defender… E sim, tudo isso é otimo! É para isso que você tem se esforçado desde o primeiro minuto que nasceu no mundo mãe!

Mas se eles já não precisam tanto assim de você, o que fazer com você mesma?

O preço que se paga pelas decisões tomadas lá atrás, onde você priorizou as necessidades deles ao invés das suas, vai depender de como você equilibrou esta balança!

No meu caso, eu decidi sair de um emprego formal, com 8h de trabalho por dia, carteira assinada e benefícios para empreender, fazer as coisas no meu tempo, no ritmo que eu conseguia conciliar maternidade e trabalho.

Abri mão dos meus sonhos profissionais de especializações e mestrado, deixei de viajar o mundo, diminui o tamanho do sonho de quem eu poderia ser para focar em ser feliz com o que eu era naquele momento, e com tudo o que eu já tinha.

E eu fui muito feliz nestas escolhas, eu sou feliz! Não me arrependo de nada mas, agora preciso ressignificar tudo!

Encontrar um equilíbrio entre as coisas que eu deixei de fazer e que hoje me fazem falta, com tudo o que sou hoje por causa das minhas escolhas e tudo o que preciso ser (ou continuar sendo) daqui pra frente.

Eu já descobri que muitas das coisas que eu deixei de fazer e pensei que poderia retomar, hoje não fazem mais sentido. E também sei que meus filhos cresceram mas ainda precisam de mim, eu não to desistindo nem abandonando.

A questão é que pra mim não basta ser a mãe motorista, a mãe cofrinho, a mãe cozinheira, a mãe lavadeira… E também não me interessa exigir dos meus filhos qualquer tipo de reconhecimento forçado ou recompensa por tudo o que fiz, o que faço e farei por eles.

Fiz porque os amo com uma paixão que até então, eu jamais imaginaria que pudesse existir, e continuarei amando e fazendo por toda a minha vida e além.

Ainda que ser mãe seja a coisa que eu mais amo ser e fazer nesta vida, a verdade é que a maternidade não me define. Talvez nunca tenha definido e a cada dia percebo que talvez, nunca deva definir.

Porque por mais que ser mãe seja o trabalho mais difícil, edificante e fascinante que um ser humano possa experimentar, para ser mãe é preciso antes ser ALGUÉM.

Alguem com coragens, medos, sonhos, desejos… Alguém que aceite renascer no mundo mãe e encarar esta nova realidade e todo o seu tornado de transformações físicas e emocionais. E se você não for alguém antes disso, não será capaz de ser nada durante e nem depois.

Ser mãe e esperar que esta “função” te indique os caminhos por si só, pode funcionar nos primeiros anos, mas se você não tiver o seu baú já cheio das coisas que você era,  pode sofrer um vazio avassalador conforme a balança da relação mãe-filhos for se equilibrando.

Equilibrio….

Desde os meus primeiros passos no mundo mãe eu já tinha sacado que a grande charada da coisa toda era Equilibrio. Ser quem e porque eu sou, aceitando as mudanças, aprendendo coisas novas, descobrindo novos horizontes, agregando, “metamorfoseando”…

Do lugar onde enxergo tudo agora, percebo claramente onde eu pesei a mão, onde me sabotei, onde fui egoista, onde fui corajosa, onde me permiti viver e planejar menos. Ser mãe é função eterna, eu nunca mais vou sair do mundo mãe, e nem quero.

Mas quero de volta as minhas asas, a cuca fresca, a alma leve, quero permitir que este amor apaixonante que o ser mãe me trouxe me faça flutuar sem medo pelas coisas que quero ver, ser e fazer.

Hoje eu sei que ser mãe precisa ser mais que apenas suprir necessidades, e não pode ser nunca  apenas renúncia. Antes eu achava que sabia definir o tal “ser mãe” mas os anos me mostraram que ser mãe não se define.

Apenas somos, num aprendizado infinito, numa recriação e co-criação em ciclos que se encerram e recomeçam sem fim. Talvez isso seja a vida, e eu sei que to na beira de fim de ciclo e desejando muito que o próximo seja gentil com as escolhas que eu fiz até aqui.

Quem você é para ser mãe? Quem você vai ser além de mãe?

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Comentários

3 comentários via blog

  1. jaqueline comentou em

    Perfeito definição da vida de ser mãe.

  2. Talita Rodrigues Nunes comentou em

    Oi, Loreta! Tenho acompanhado tua ginástica cerebral para se readaptar a essa nova fase dos teus filhos. Eu não fiz tantas renúncias quanto tu na minha vida pessoal depois da maternidade. Mas já aproveita tuas reflexões para antecipar um pouco do que vou experimentar quando meu filhote crescer também.