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A primeira papinha a gente nunca esquece…

introdução alimentar

imagem: shutterstock

 

O bebê nasce e você amamenta, às vezes, precisa complementar com fórmula e tudo isso (amamentar, fazer mamadeira, saber a quantidade ideal, a temperatura ideal, o horário ideal) já é bem complicado de ajustar e se adaptar e daí, antes mesmo que você possa começar a cantar vitória, chega a hora da primeira papinha!

A verdade é que, com a introdução alimentar, inicia-se uma nova fase na vida da mãe e do bebê, por mais que você já estivesse “craque” na arte de alimentar o seu filho com o seu leitinho (ou a fórmula), com as papinhas é tudo novo de novo!

Quando o pediatra me liberou para iniciar a papa de frutas para o Pedro eu nunca imaginaria que seria tão complicado: escolher fruta, lavar casca, descascar, amassar, escolher um pratinho, uma colher ideal, babador, melhor lugar para comer…

Mesmo com o apoio do pediatra, apetrechos sofisticados e toda a informação que pude encontrar, a primeira papinha não foi como eu imaginava! O Pedro não abriu a boquinha assim que viu a colher, não ficou sentado quietinho, não comeu tudinho…

As dúvidas foram surgindo e me deixando muito insegura! Será que eu estava iniciando na idade apropriada? Será que era normal ele recusar a papinha? Será que eu havia higienizado o suficiente? Será que estava bem amassado?

Como sempre, o primeiro filho é o nosso “test drive” e com a Cacá foi tudo bem diferente! Baseada nestas duas experiências, vou listar aqui um “esquema” para você se sentir mais segura e iniciar com menos traumas!

Quando?

Normalmente é o pediatra quem vai te indicar a melhor idade para iniciar a introdução alimentar mas, via de regra, o normal é que a indicação seja por volta de 4-6 meses de vida! Se o bebê é amamentado exclusivamente, normalmente os pediatras esperam até os 6 meses, se ele já recebe a complementação com fórmula, alguns indicam aos 4 meses.

Com o Pedro, iniciei aos 4 meses e posso dizer pra vocês que a experiência foi muito mais complicada do que com a Cacá, que eu iniciei aos 6 meses. O motivo é bem simples: aos 4 meses os bebês ainda não se sentam sozinhos, não sustentam a cabeça por muito tempo e daí, imagine colocar um babador num pescocinho meio mole? Alimentar um bebê reclinado que vira a cabeça e derrama tudo no carrinho?

Eu não sou pediatra mas, garanto pra vocês que iniciar a introdução alimentar aos 6 meses é muito mais fácil e melhor recomendado! Aos 6 meses os bebês já se sentam sozinhos ou quase sozinhos, conseguem sustentar a cabeça e o risco de engasgos é bem menor. A Cacá nunca engasgou, o Pedro engasgou 1 vez e eu quase morri do coração!

Fora isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) também recomendam a introdução alimentar apenas aos 6 meses de vida do bebê pois, nesta fase, o organismo do bebê está mais maduro para lidar com possíveis infecções ou reações alérgicas decorrentes dos novos alimentos.

Se o seu pediatra recomendou a introdução alimentar antes dos 6 meses, converse com ele sobre estas dúvidas e a real necessidade de introduzir novos alimentos na rotina do bebê.

O que?

O pediatra ou uma nutricionista também podem te auxiliar sobre o que oferecer para o bebê neste primeiro momento. A prática comum é iniciar com a papinha “doce” de fruta, para que o bebê aceite melhor a nova consistência, já que está habituado ao sabor adocicado do leite materno.

As frutas mais comuns usadas nesta fase são: banana prata, maçã, mamão, pêra, entre outras. As frutas devem ser lavadas, descascadas e depois, amassadas com um garfo, o melhor é que você nunca triture os alimentos, o bebê precisa aprender a “mastigar” com a gengiva e por isso, a papinha não pode estar muito líquida e nem muito cheia de “pedaços”. A consistência deverá ser pastosa e granulosa, sem risco de engasgo mas, que possa ser “mastigada” na gengiva.

Depois de pelo menos 1 semana com a fruta (ou quando o bebê já estiver habituado), inicie a papa salgada; para este primeiro momento, misture poucos ingredientes como: batata e cenoura, mandioquinha, chuchu….

A consistência da papinha é a mesma da fruta mas, no caso da papa salgada, você pode deixá-la aquecida. Para as frutas e para a papa salgada, o ideal é que você teste um tipo de cada vez e aguarde pelo menos 4 dias antes de tentar algo novo assim, você poderá observar se o bebê apresentou alguma reação àquele ingrediente. As reações podem ser: diarréia, coceira, vermelhidão, irritabilidade…

Para ver cardápios e mais dicas da nutricionista para esta fase de introdução alimentar, clique AQUI e se você começou a alimentação e o coco do bebê está saindo esquisito e te deixando em pânico, clica AQUI para ver os tipos de coco para cada tipo de comidinha!

Como?

O ideal é que você escolha um lugar para o bebê comer que será o lugar habitual por exemplo, um cadeirão ao lado da mesa de jantar, ou no carrinho do lado da mesa e etc…

Se você habituá-lo a se alimentar sentado no sofá, ou no bouncer, ou enquanto brinca com alguma coisa, ele ficará condicionado a isso e futuramente, a hora de comer poderá se tornar uma “guerra”! Então, desde cedo, é legal mostrar ao bebê que, a hora de comer é uma hora especial, que requer a atenção dele e a sua e por isso, desligue a TV, o tablet e celular e concentre-se com ele.

Depois de escolher o lugar, escolha os acessórios! Babadores, muitos babadores, pratinhos plásticos, colheres adequadas ao tamanho da boquinha do bebê e sempre cheque a temperatura da comida antes de oferece-la ao bebê.

Para fazer isso, você coloca um pouquinho da comida na parte interna do pulso, deve estar aquecida sem “queimar”. Evite assoprar a comida do bebê, o ideal é preparar com antecedência e deixar esfriar naturalmente, ao assoprar você pode transmitir bactérias da sua boca para a comida dele, como por exemplo, as causadoras de cáries!

Com babador, pratinho e colher em mãos, é hora de oferecer a papinha! Lembre-se, esta será a primeira vez na vida que seu bebê terá contato com algo deste tipo, até então, ele só conhecia a consistência, sabor e temperatura do leite então, é normal que ele ache tudo muito estranho!

Coloque uma pequena porção na colher e toque com a papinha na boquinha dele, pode ser que ele tenha o instinto imediato de abrir a boquinha e aceitar a comida neste caso, coloque só um pouquinho lá dentro, pra ele sentir a consistência, temperatura e sabor. Deixe-o experimentar, observe como ele “mastiga” com a gengiva e engole.

Se ele não abrir a boquinha ao toque da colher, você pode ensiná-lo a fazer isso! Sente-se de frente para ele e, com a colher em punho, abra a sua boca para mostrar a ele o que espera que ele faça, a tendência é que o bebê imite a sua atitude e abra a boca. Ao abrir, coloque um pouquinho da papinha na boquinha e espere, tenha calma!

Pode ser que ele cuspa, pode ser que não volte a abrir a boca, pode ser que comece a chorar ou, pode ser que ele queira por a mão na colher e depois, colocar na boca ele mesmo. Deixe-o experimentar, deixe-o sentir as texturas e sensações, se ele se recusar a abrir a boca de novo e começar a chorar, não insista!

Aos poucos, no dia a dia, com paciência e cuidado, ele vai aceitando experimentar! Lembre-se que, nesta fase, a papinha é o “complemento” dos nutrientes que ele já recebe através do leite materno ou fórmula por isso, nada de desespero!

Para ver uma lista de produtinhos que facilitam a hora da papinha clica AQUI.

Quanto?

Daí ele está aceitando a papinha mas, você não tem certeza se a quantidade que ele está comendo está suficiente. Bom, isso só quem pode dizer para você é o bebê!

Com as frutas, meia banana prata amassadinha comida inteira nas primeiras tentativas está mais que suficiente, se ele quiser apenas 2 ou 3 colheradas, está bom também! O mesmo vale para as papas salgadas, as quantidades são de 100g ou 4 colheres de sopa logo, muitas mini colheres de bebê.

Se ele comer tudinho, ótimo! Se ele comer só 3 ou 4 colheres, tudo bem também! Mantenha o foco de que, além da comidinha ele ainda vai tomar o leitinho e então, está tudo certo! Desconfie apenas se, nas consultas mensais seu bebê não estiver ganhando o peso adequado ou crescendo dentro do esperado, neste caso, você e seu pediatra deverão decidir qual o melhor caminho para garantir que o bebê se alimente e cresça saudável.

O essencial nesta fase de introdução alimentar é ter muita PACIÊNCIA, estar segura de que está tudo bem e de que todo mundo passa por isso. Se o seu bebê se recusa a experimentar qualquer coisa, se ele vomita, se chora ao engolir ou se você desconfia de alguma coisa, converse com o seu pediatra!

É normal a fase ser difícil, é normal o bebê não aceitar logo de primeira, é normal ele não comer tudinho, é normal ele querer colocar a mão em tudo, é normal ele se sujar e sujar você! Aproveite para tirar muitas fotos deste momento delicioso e que vai te encher de saudades!

Bjs ;)

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