Categorias Cinema&Cultura

Power Rangers: sim ou não?

power rangers

Outro dia estava num grupo de mães e a temática da discussão eram os Power Rangers! “Mas, por quê?” você pode se perguntar e se você fez esta pergunta, ou você tem filhos muito pequenos que ainda não sabem o que é (menores de 5 anos) ou muito mais velhos onde você não vê nenhum problema (maiores de 7 anos).

Pois é, hoje eu me encaixo no segundo tipo de mãe, com Pedro aos 9 anos e Cacá aos 7, eu não vejo nenhum mal em deixá-los assistir aos Power Rangers com suas armaduras e robôs espetaculosos.

Mas para chegar até aqui, foi um longo caminho!

E por isso, eu super entendo as mães que estavam neste tópico de discussão sem saber se liberavam o bendito seriado, ou não!

Talvez você se lembre dos Power Rangers, eu mesma sou da geração que cresceu assistindo as mil temporadas dos Rangers e por isso mesmo, eu sempre soube de que tipo de seriado se tratava: heróis no estilo japonês combatendo inimigos tão mal feitos quanto hilários ao estilo Godzila.

power rangers

Cenário incrível #sóquenão…

Mas na minha de época de criança/adolescente eu certamente não via nenhuma “maldade” nos heróis e suas missões. Achava o máximo ter um relógio onde se podia gritar: “hora de morfar!” e você se transformava em alguém com super habilidades envolvida em sagas incríveis com inimigos de outro planeta.

power rangers

HORA DE MORFAR!

Eu com certeza nem notava o “potencial para a violência” que este tipo de seriado poderia despertar ou “gravar” em mim, ainda criança. Eu cresci uma pessoa do bem, da paz, nunca quis ser uma ninja maluca e nem saí aplicando golpes aprendidos no seriado em ninguém!

power rangers

Quem consegue levar a sério esta Rita? hahahaha

Só que daí, eu virei mãe!

Quando o Pedro nasceu, ou quando eu apresentei a TV pra ele pela primeira vez, sempre me preocupei muito com o tipo de conteúdo que ele estava consumindo. Assim, eu observava e pesquisava coisas que fossem próprias para cada fase de vida dele, buscando coisas construtivas, educativas e tudo mais.

Foi assim que ele conheceu o Barney, os Backyardigans, a Vila Sésamo, o Thomas, o Mickey e outros personagens que foram surgindo e não, ele não assistia Power Rangers! Nem ele, nem a Cacá!

Acontece que lá na escola dele, os coleguinhas começaram a falar muito sobre Power Rangers, ele devia ter cerca de 6 ou 7 anos e os amiguinhos só falavam disso! Claro, que ele ficou curioso e queria saber mais sobre os heróis que ele já estava curtindo e brincando na escola.

E agora? Liberar ou não liberar?

Pela classificação indicativa, Power Rangers é uma série para crianças a partir de 10 anos, ou seja, o Pedro aos 7 anos não estava apto para assistir este seriado. Mas se os coleguinhas de escola estavam falando sobre isso (e tem a mesma idade que ele) então, os pais estavam liberando assistir ao bendito seriado, será que eu estava sendo “dura” demais?

Tentei me lembrar de quando eu comecei a assistir Power Rangers e tenho quase certeza que foi por volta de 9 anos mesmo porque, antes disso eu estudava de manhã e quando chegava em casa já tinha perdido todos os desenhos da TV #tristeavidasemNetflix

Ou seja, me baseei no modo como eu mesma cresci e em tudo o que eu já sabia sobre Power Rangers e decidi que não, ele ainda não tinha idade e não iria assistir!

Claro que ele chiou, reclamou, disse que os amigos todos assistiam e que ele já estava sabendo de tudo o que acontecia por causa dos amigos, mas eu me mantive firme na decisão. Eu sei que muitas coisas que eu disser não em casa ele vai acabar por conhecer “na rua”, mas penso que se eu mantiver uma direção ele vai conseguir diferenciar o certo do errado baseado em mim e depois, aprender a tomar as próprias decisões sozinho.

Não é pra isso que “servem” as mães?

Enfim, ele desencanou de me pentelhar pedindo pra assistir Power Rangers, eu expliquei 1 milhão de vezes meus motivos para dizer não até que, no começo deste ano, com todo o burburinho sobre o novo filme de Power Rangers que foi lançado em março, o assunto voltou a tona.

Ele descobriu que tinha Power Rangers na Netflix e me pediu se agora (aos 9 anos) ele já podia assistir. Resolvi sentar para assistir com ele ver “qualé” a da nova versão moderna do seriado que eu assisti na infância.

Tá tudo igual!

Os Power Rangers continuam a ser cinco, nas cores primárias, com relógios para morfar, robôs gigantes, inimigos intergalácticos hilários e lutas tão mal produzidas que parecem feitas por mim no IMovie. Mas assim como eu ficava concentrada e encantada com a série, ele também ficou!

Quis assistir um, depois outro, depois a temporada toda e daí, resolvi que já era hora de deixar ele ver afinal, ele já tem idade suficiente para discernir tudo o que está acontecendo ali, ele morre de rir com os “defeitos” especiais e entende que aquilo tudo é diversão, entretenimento.

Ou seja, a minha parte de proteger o meu filho e ensinar pra ele a diferença entre realidade e ficção foi feita com sucesso, tanto sucesso que eu posso deixá-lo assistir aos seriados sem maiores preocupações.

E a Cacá, onde fica nisto tudo?

Vocês já sabem que o Pedro e a Cacá são grudados, né? Então, normalmente, eles assistem juntos as coisas na TV e assim, quando ela está assistindo seriados de princesas e fadas, ele tá junto e quando ele está assistindo Power Rangers ou Jovens Titãs, ela também está!

Eles tem uma diferença de 2 anos então, Cacá está hoje com a mesma idade que o Pedro tinha quando me pediu para assistir e eu não deixei, então por que ela pode e ele não podia?

Primeiro porque o primeiro filho é o “filho cobaia” mesmo, a gente nega ou permite as coisas pra ele meio que sem saber se é isso mesmo, e no segundo filho a gente já sabe! Pode parecer injusto, mas é a verdade e quem é mãe de mais de um ou simplesmente tem irmãos, sabe que isso é verdade!

Depois porque, a Cacá, justamente por ter o Pedro como irmão mais velho e exemplo, aprendeu muitas coisas mais rápido, amadureceu em algumas coisas com maior facilidade e não tem interesse em Power Rangers. Ou seja, quando ele coloca no programa ela assiste por 5 minutos e sai andando! Não é a dela, sabe?

E por que fazer um post deste tamanho pra falar sobre Power Rangers?

Porque naquele grupo de mães que eu mencionei no começo, “o pau estava comendo” por causa das diferenças de opiniões entre as mães. As questões levantadas foram justamente as mesmas que eu enfrentei: eu decidi que não queria que meu filho assistisse Power Rangers, mas os coleguinhas assistiam o que significava que outros pais permitiam.

As mães do grupo estavam todas alvoroçadas julgando as decisões das outras mães e reclamando sobre como é difícil você decidir uma coisa para o seu filho e ter toda a sociedade para ir contra. E isso não se aplica só nas decisões sobre quais personagens ou músicas você quer que seu filho tenha contato, mas também em outras coisas como o tipo de lanche da lancheira, o tipo de brinquedo, de roupa…

E como lidar?

Eu aprendi que não adianta querer brigar com o mundo para que ele seja como você quer, ou pense como você. O que eu posso fazer como mãe é manter firme as minhas decisões, reavaliar quando for preciso, mostrar aos meus filhos o caminho certo e confiar de que estou fazendo um trabalho bom o suficiente para que eles possam tomar boas decisões lá na frente!

Se você confia que a sua decisão não faz mal para o seu filho e nem para o filho de ninguém, então siga em frente! Mas se você percebe que a sua atitude como mãe, pode prejudicar outras crianças ou está sendo egoísta e levando em consideração apenas o bem estar do seu rebento. Pare e pense!

Somos uma comunidade de mães tentando fazer o melhor para os nossos filhos, nem sempre temos todas as respostas, nem sempre acertamos, mas a vida de mãe pode ficar muito mais fácil se a gente se escuta e se coloca no lugar do outro de vez em quando!

Por aqui, agora tem hora de morfar! E eu estou tranquila com a minha decisão! E por aí?

Bjs! ;)

power rangers

Deixe seu comentário

Comentários