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Porque os meus filhos não assistem ao YouTube

No início deste mês dei uma entrevista para o jornal O Estado de São Paulo falando sobre porque os meus filhos não assistem ao YouTube (veja a matéria clicando AQUI).

A gente no jornal!

Uma entrevista de 1 hora de duração mais 1 hora de sessão de fotos, se transformou em apenas 1 frase minha e a nossa foto estampando a matéria… Decidi escrever um post com os meus porquês e assim, contextualizar direito esta história!

A primeira coisa que eu preciso deixar muito claro, é que eu não sou CONTRA o YouTube, a tecnologia, a internet, etc.

Aliás, muito pelo contrário! Eu sou viciada em internet, comemoro toda nova conquista e avanço tecnológico da nossa sociedade e acredito de verdade que a internet tem o poder de aproximar, transformar, abrir horizontes, ensinar…

Mas com todo este poder (já diria o Tio Ben), também vem grandes responsabilidade e a verdade é que a DONA INTERNET não está lá muito responsável. Ou seríamos nós, que somos usuários, que estamos meio relapsos?

Talvez, o fato de estar aqui, neste ambiente, escrevendo um blog e presente nas redes sociais todos os dias há 7 anos, faça com que eu tenha uma noção maior de como a internet pode ser boa e ruim. Talvez a exposição – controlada – que faço dos meus filhos e da nossa vida em família tenha me ensinado o que sim, o que não e o que nunca dentro desta grande teia virtual.

Mas voltemos as crianças…

As redes sociais são para maiores de 18 anos não por acaso! Se nós, adultos, somos atraídos, motivados, tocados, traídos, amados, decepcionados e angustiados com tudo o que rola dentro das redes sociais, imagina as crianças?

E não se engane, o YouTube é nada mais do que mais uma rede social! Uma rede social poderosíssima, cheia de novidades, cheia de gente boa e cheia de gente que não tá nem aí pra nada!

Como aliás, é também o mundo real, certo?

Você deixaria o seu filho andar desacompanhado por um lugar que ele não conhece e lotado de pessoas que você também não sabe quem são? Se a resposta for não, então considere o mesmo para a internet!

Sim, eu também acho que o nosso amigo Google e o nosso amigo Zuckinha poderiam reforçar a segurança de suas poderosas redes sociais, eu também acho que deveria haver um crivo maior para as coisas que são postadas por lá e principalmente, acho que deveria haver maneiras de a gente se proteger e proteger as nossas crianças contra estes conteúdos inadequados.

Mas, a verdade é que com tanto conteúdo entrando a todo momento, os caras simplesmente não têm como monitorar tudo e garantir a segurança da coisa 100% então, acaba sobrando pra quem? Para os pais!

E você pode até achar isso muito injusto (assim como eu também acho), mas a real é que os pais são os responsáveis pela proteção e educação das crianças e por isso, eu acho sinceramente que é nossa obrigação saber por onde andam navegando as nossas crianças!

Aqui em casa, temos regras muito claras quanto ao uso da internet, TV, netflix e jogos eletrônicos. E, de novo, não se trata de ser contra a tecnologia ou os avanços que ela nos trouxe, se trata de tentar encontrar um equilíbrio saudável entre as coisas que eles precisam conhecer e descobrir tocando, imaginando, pensando, interagindo DE VERDADE e as coisas que eles podem absorver e aprender através do mundo virtual.

O Pedro está com 10 anos e a Catarina está com 8 anos, nenhum dos dois têm celulares (vou contar esta história em outro post), nenhum dos dois têm perfis em nenhuma rede social, eles não assistem nenhum canal no YouTube como se fosse um canal de TV ou um seriado da Netflix, eles não tem “ídolos” da internet, ou mesmo da TV.

E é um esforço diário para que eles se mantenham assim, e eu sei que isso não vai durar muito! Eu sei que a adolescência está batendo à minha porta e que a cada dia que passa, a “graça” da vida lá fora vai ficar cada vez mais “sem graça” mas, até lá… eu insisto! Eu coloco regras! Eu mostro opções! Eu apresento oportunidades e brincadeiras! Eu dou sugestões!

E não, eu não sou aquele tipo de mãe que está sempre disposta a brincar na rua com eles, a sentar no chão, correr e bater bola. Aliás, eu até me cobro por não ser tão ativa quanto gostaria!

E ainda assim, eles entendem as regras, aceitam, obedecem e preferem brincar lá fora do que “perder tempo” com os eletrônicos dentro de casa. Eles entendem que tudo tem hora e lugar, e isso só funciona hoje porque eu insisto desde muito cedo!

Nossas regras:

  • Redes Sociais são apenas para maiores de idade. Não há concessões quanto a isso!
  • Durante a semana, não pode Netflix, nem YouTube, nem videogame, nem joguinhos no celular!
  • TV só depois de todas as tarefas concluídas (lição de casa e tarefinhas que eles têm na própria casa como, arrumar os próprios quartos e lavar a louça do almoço dentro da nossa escala)
  • Há programas “de criança” e há programas “de adulto”. Normalmente, quando começa um filme ou programa na TV aparece a classificação etária. Eles já sabem ler e já sabem o que elas significam! Se uma coisa é para maiores de 18, eles mesmos mudam o canal sem nem perguntar! Quando é para maiores de 14 eles me perguntam! Mesmo quando a coisa é classificação Livre, eles perguntam pra ter certeza porque eu já proibi certos tipos de desenhos e seriadinhos que eram lotados de conteúdo discriminatório, abusivo, cheio de bullying e outras porcarias!

Mas com tantas regras, eles não usam aparelhos eletrônicos durante a semana?

Claro que usam! O Pedro, inclusive, tem lição de casa todos os dias através de um aplicativo da escola dele, algumas lições de casa solicitam que as crianças pesquisem temas na internet, eles fazem um cursinho de inglês (que eu adoro e depois vou falar mais sobre) através de um aplicativo no celular (meu e do pai) e assistem TV!

Mas quando estão nestes ambientes sabem quais são as “regras de navegação”:

  • Não pode jogar nada online com outros jogadores! Eu não tenho como saber quem está do outro lado, não tenho como saber que é uma criança de verdade que está no chat com os meus filhos!
  • Eu ensinei o Pedro a pesquisar no Google os temas da escola e o ensinei a reconhecer fontes confiáveis de pesquisa escolar.
  • Estou sempre supervisionando a navegação deles, os equipamentos eletrônicos têm travas de conteúdo adulto e palavras chaves.
  • Os celulares estão liberados para joguinhos (previamente aprovados por mim e pelo papai) quando estamos no carro, em alguma espera chatinha, etc.
  • O Pedro usa o celular para ouvir música antes de dormir somente às sextas a noite, porque vai poder acordar tarde no dia seguinte.

Se eles acham uma chatice? Se eles brigam e reclamam?

Vocês podem até achar que eu estou mentindo, mas eles nem ligam! E isso só é assim porque, como eu disse antes, desde muito pequenos coloquei estas regras que são inflexíveis então, eles se habituaram e sabem que não adianta discutir.

Ás vezes, eu até penso se estou sendo “chata” ou ditadora demais, mas nas vezes em que tentei ceder aqui ou ali, aconteceram episódios que apenas me mostraram que os meus filhos ainda não têm maturidade para certas coisas na vida virtual.

E eu sempre digo pra eles que, á medida em que forem crescendo, e mostrando que estão maduros o suficiente para lidar com as coisas que estão me pedindo, vão ganhando as “liberdades” que almejam.

É claro que eu sei que isso pode não durar por muito tempo, pode acontecer sim de eles se rebelarem, mas por enquanto está funcionando muito bem. Nosso relacionamento é construído com muita transparência! Eu nunca digo NÃO sem explicar o porque e sempre escuto as dúvidas e motivos deles antes de tomar uma decisão.

Mas eles sabem que as decisões são finais, e eu me mantenho firme neles porque, se tem uma coisa que aprendi nestes anos de maternidade, é que basta você demonstrar um pingo de hesitação que pronto! Batalha perdida!!

E com tanto conteúdo na internet, e no YouTube, como eu classifico o que NÃO PODE de jeito nenhum?

Tenho uma listinha de “proibidões”:

  • Canais que fazem unboxing de brinquedos ou qualquer outra coisa, não pode!
  • Canais em que os apresentadores falam palavrões, não pode!
  • Canais com qualquer apelo sexual, romantizado e assemelhados. Não pode!
  • Canais com conteúdo cheio de discriminação, bullying, trollagem, pegadinhas bobas etc. Não pode!
  • Canais de música com clipes muito sensualizados, não pode!
  • Canais com conteúdo violento, não pode!
  • Canais com youtubers que fazem um diário da vida cheio de “sabedoria” que não leva a nada e julgamentos pessoais, não pode!

E o que é que pode?

  • Canais que ensinam sobre ciências, tecnologia, História, curiosidades…
  • Canais de receitinhas
  • Canais de karaoke (eles amam!)
  • Canais de desenhos
  • Canais de video games com apresentadores educados!!

E quando surgem novidades e coisas que eles gostariam de assistir, eles me perguntam e assistimos juntos para que eu possa decidir se sim ou não. Foi o que aconteceu com o tal do KPOP que o Pedro me apresentou recentemente. Chato, mas inocente! hehehe

Talvez, um bom resumo de toda esta discussão seja: supervisione! Esteja atento! Esteja junto! Saiba o que o seu filho está pesquisando, assistindo, curtindo… Não permita que se abra um abismo entre vocês!

Interesse-se pelas coisas dele assim como ele se interessa pelas suas, e se ele perder o interesse em você, se reinvente! Se torne interessante de novo ao se interessar pelo o que ele se interessa!

É, eu sei! É trabalho de uma vida toda e parece que a gente não vai ter descanso nunca! Mas antes de pedir socorro, lembre-se que você pensou a mesma coisa quando não sabia que ele chorava de cólica, que achou que não conseguiria sobreviver ao desfralde, e pensou que ia morrer com a adaptação escolar! São fases!

Em qual delas você está agora? Me conta como é aí na sua casa!

Bjs! ;)

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Comentários

6 comentários via blog

  1. Talita Rodrigues Nunes comentou em

    Arrasou, Loreta! Pensamos muito parecido!

  2. Alessandra comentou em

    Você poderia nos falar quais são esses canais permitidos???

    1. Loreta Berezutchi respondeu Alessandra em

      Oi Alessandra! Pode deixar que vou preparar um post com uma listinha dos canais bacanas! Bjs! ;)

      1. PATRICK LUCINHUKI DA SILVA respondeu Loreta Berezutchi em

        Muito bom! Parabéns pelo blog! Ah, e deixando uma dica de canal, não há Youtuber gamer melhor que o Zangado! Nada de palavrões e uma excelente pessoa.

  3. Carolina Pires Martins comentou em

    Olá, Lorena. Fiquei bem interessada nesse cursinho de inglês que vc citou. Meu filho de quase 7 anos está fazendo um curso presencial, mas não está dando muito certo. Vc em mais informações? Obrigada! ;)

    1. Loreta Berezutchi respondeu Carolina Pires Martins em

      Oi Carolina! Pode deixar que vou fazer um post com os aplicativos e joguinhos que ajudam muito na hora de aprender inglês! Bjs! ;)