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Por que meu filho só chora comigo?

Você já ouviu a seguinte frase: “ele estava bem até agora, foi só você chegar que começou a chorar!” Ou a outra : “fica tranquila, quando você sai ele pára!” Ou então: “ih, é manha porque você faz todas as vontades dele!”

Eu sinceramente não consigo entender porque as pessoas dizem estas coisas ás mães, penso que talvez seja falta de empatia, tato ou “osso na língua”, como diria meu pai! Porque quando nós ouvimos estas frases a primeira coisa que vem na cabeça é: Por que meu filho só chora comigo?

birra de criança

Será que eu sou tão péssima mãe que não consigo controlar esta criança e qualquer outra pessoa consegue fazer este trabalho melhor do que eu? Será que eu sou muito “molenga”? Será que ele está sofrendo? Será que ele faz isso para ME fazer sofrer?

Sim, eu sei bem como é esta sensação! A sensação de apesar de todos os nossos esforços, estarmos falhando miseravelmente, de ficarmos de coração partido e acreditando que eles se divertem muito mais na nossa ausência do que na nossa presença…

Em tempos de adaptação escolar, aí é que é um explode coração mesmo!

A criança chora de lá, a gente chora daqui e sempre tem uma “tia” pra dizer: “não se preocupe, assim que você sair ele vai parar!”

Mas como assim?

Ás vezes, as “tias” da escola podem ter a melhor das intenções ao dizerem estas coisas, elas querem que você fique bem, fique consolada e não pense que o pequeno irá sofrer. Mas o fato é que, repetir que a criança vai se comportar bem assim que se afastar de sua mãe, faz com que a nossa confiança como mães (que já está sempre sendo colocada a prova) escorra “lágrimas abaixo”!

Fica a sensação de impotência, a sensação de que isso é “normal”, de que os filhos fazem isso mesmo, talvez para “castigar” suas mães/pais por não lhe fazerem todas as vontades e assim, a gente vai levando a vida, acreditando que este é o real motivo da coisa.

Mas não é!

No começo deste ano, estava conversando sobre isso com uma amiga lá no Facebook e ela me lembrou de um trecho do ótimo livro da Isabelle Filliozat, “Já tentei de tudo!”:

Todo mamífero espera a sua mãe antes de expressar um sentimento de pavor em voz alta. Na ausência da mãe, é melhor não se manifestar em demasia. Quando mamãe ( = segurança) voltar, posso descarregar as tensões acumuladas. O mesmo processo está em curso quando a sua filha fica incontrolável com você à noite depois de passar o dia divinamente bem na creche.
Ela aguentou situações de estresse sem nada demonstrar e só “sucumbiu” quando você chegou. Às vezes isso é difícil para as mães, que podem ter a impressão de que a criança deixa o pior para elas, ou podem achar que não são boas mães (sobretudo quando o pai reforça: “Olha, comigo estava tudo bem!”).
Choros e crises de raiva são às vezes (frequentemente) simples descargas de tensão dirigidas à fonte de amor incondicional: mamãe. Esse comportamento continuará durante muitos anos ainda; tenha isso em mente quando sua filha adolescente lhe gritar toda a raiva que tem dentro dela. Não esqueça que você é o receptáculo preferido para os seus sofrimentos; não por não ter autoridade (é o que muitas vezes dizem o pai ou mesmo a sua própria mãe), mas porque com você ela se sente segura.

Trecho de: Filliozat, Isabelle. “Já tentei de tudo!”. Editora Sextante, 2014-09-18. iBooks

Fez sentido pra você?

Coloque-se por alguns minutos na situação e perceba como, não são apenas as crianças e adolescentes que têm este tipo de atitude. Mesmo nós, adultos, ainda damos “destas” vez ou outra…

Basta parar pra pensar quem são as pessoas com as quais você mais discute ou tem opinião contrária no seu dia a dia. Certeza que se você fizer esta análise, vai reparar que é sempre com as pessoas que você mais ama, o marido/esposa, mãe, pai, irmãos, amigos do peito…

Isso acontece porque como meu pai também sempre diz “a gente só folga com quem sabe que pode!” Ou seja, só podemos desabar e sermos nós mesmos com as pessoas que confiamos, com aquelas que temos certeza que nos amam mesmo quando demonstramos o pior de nós.

E para os bebês/crianças, que ainda não têm muita capacidade de controle emocional, esta pessoa será quase 100% das vezes a mãe. E que bom!

Eu não estou querendo dizer pra você que você deve deixar o seu filho espernear e agradecer a Deus por ele fazer isso COM VOCÊ!

Sei bem o exercício de paciência divino que nós mães precisamos fazer para lidar com estas crises sem perder o controle. O que eu estou querendo dizer é que, ao invés de ficar presa neste círculo horroroso da culpa e medo que a maternidade de vez em quando nos coloca, você pode olhar a situação com o ponto de vista do “copo meio cheio”.

Se o seu filho só chora com você, é porque ele confia em você! Confia no seu amor incondicional e isso significa que sim, você é uma excelente mãe, a melhor que ele poderia ter!

Lidar com os choros, as crises, a culpa, o medo, a insegurança e todo o turbilhão de emoções que testam o nosso coração todos os dias já é muito complicado e quando paro para pensar, tenho a sensação de que toda a nossa sociedade faz o que for possível para que fique cada vez mais difícil, para que sejamos sempre as vilãs!

Mas não somos!

Somos seres humanos criando “seresumaninhos”, fazendo o nosso melhor de todo coração! Ás vezes a gente vai errar, na maioria das vezes a gente vai acertar, e o melhor que todas as “tias”, pais, avós e sociedade podem fazer por nós, é parar de nos culpar e oferecer um ombro!

Olhar nos nossos olhos no fim do dia de aula e ao invés de dizer que ele não chorou o dia inteiro e só começou porque te viu, dizer: “Que bom que você chegou! Agora ele pode desabafar e vai ficar tudo bem!”

O exercício da empatia talvez seja o maior desafio diário dos seres humanos em geral, como mães, podemos começar a praticar nos colocando no lugar dos nossos filhos e nos permitindo reconhecer que é normal ter sentimentos, e que todo mundo precisa de um ombro pra desabar. As crianças por mais tempo, de maneira mais descontrolada, mas eles estão aprendendo, assim como nós!

Então, se você anda de coração partido porque o seu filho só chora com você, respira fundo e acredita em mim: você é uma ótima mãe, e está fazendo um trabalho incrível!

Bjs!

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Comentários

6 comentários via blog

  1. Mariangela comentou em

    Me deu até vontade de chorar ao ler esse texto. Adorei

  2. Talita Rodrigues Nunes comentou em

    Eu precisava ouvir EXATAMENTE isso hoje.
    Obrigada, Loreta.
    Esse texto me representa.

  3. Larissa comentou em

    Melhor texto!!!!! Me emocionei

  4. Odete comentou em

    Nem mais..Mãe é Mãe!!!!

  5. Keila marques comentou em

    Amei essa matéria! Me perguntava sempre o motivo de choro quando estava comigo, agora fico bem mais aliviada.

  6. Elizabeth comentou em

    Nossa esse texto se encaixou perfeitamente nomomento que estou vivendo com meu filho de 2 anos…PERFEITO!!!!