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O meu filho fala errado, será que é normal?

criança fala errado

O Pedro demorou muito para começar a falar mesmo, quer dizer, quando a gente pensa em demorou ou não demorou para falar, precisamos levar em consideração com o que estamos comparando a criança.

No meu caso, sempre detestei comparações, porque acredito de verdade que cada criança é única, cada uma tem seu ritmo e o ambiente em que cada uma vive, influencia diretamente na “velocidade” em que eles se desenvolvem e aprendem coisas novas.

Sim, eu sempre confiei no meu pediatra que sempre me dizia que estava tudo bem, que ele estava se desenvolvendo dentro do esperado para a idade e que eu não me preocupasse, ok, maaaas….

Apesar de eu super confiar no pediatra, detestar comparações e confiar no meu instinto de mãe, a verdade é que estava rodeada de pessoas que insistiam em me dizer que havia alguma coisa errada com o meu filho de 2 anos e meio que ainda não falava tantas palavras e muito menos com tanta perfeição e por isso, eu, mãe de primeira viagem, comecei a comparar o meu pequeno com aqueles boletins mensais de desenvolvimento que recebemos e também, com os amiguinhos da mesma idade dele.

Eu ouvi tantas coisas sobre os “porquês” de ele não falar! Tinha gente que me dizia que ele era “preguiçoso”, algumas pessoas sugeriram autismo, outras me receitaram mandigas como, dar água numa casca de ovo pra ele começar a falar (Oi??) e até gente me dizendo que era uma questão de “vidas passadas”, teve!

Com tanta coisa na cabeça, antes de ficar pirada, resolvi levar as minhas preocupações ao pediatra que me disse que, o Pedro era completamente normal e estava se desenvolvendo adequadamente porém, algumas atitudes minhas, como mãe, poderiam estar “atrasando” a questão da fala e por isso, era pra eu prestar atenção no seguinte:

– Não adivinhar os desejos dele e deixar ele se esforçar para pedir as coisas que queria, falando o nome delas!

– Não terminar as palavras dele, deixar ele tentar falar e ensiná-lo a falar corretamente!

– Não rir das palavras “engraçadinhas e erradas”. Ensinar sempre a falar direito e elogiar sempre!

– O fato de ele não estar na escola e não ter um irmão mais velho, também influenciava na demora em começar a falar já que, a mãe atendia a todos os seus desejos sem que ele fizesse esforço para explicar o que queria, ele não precisava competir com ninguém por atenção e, as únicas pessoas que ele imitava eram os adultos e por isso, era muito mais difícil de aprender a falar do que ao imitar uma criança, que tem um vocabulário menos extenso e fala mais devagar!

Achei o pediatra bem “lúcido” e desencanei desta história! O Pedro ganhou uma irmã mais nova, eu estava cheia de afazeres que incluiam a mudança de Estado e por isso, não me preocupei mais até que, ele começou a regredir!

Voltou a usar fraldas diurnas, voltou a dar os xiliques do “terrible two” que já haviam amenizado, e voltou a falar igual “bebezinho” para pedir as coisas, deixando de usar palavras que ele já conhecia.

Por causa de tudo o que estava acontecendo (chegada da irmã, mudança de casa e de cidade, distância dos avós, primos e amigos) eu sabia que as coisas estavam associadas e na verdade, eu já esperava mesmo que enfrentaria estas dificuldades com ele.

Respirei fundo, usei todo o meu estoque de paciência e decidimos matriculá-lo em sua primeira escolinha, para que ele pudesse fazer amigos novos e não se sentir mais tão sozinho. Deu super certo!

Assim que entrou na escola, ele “desembestou” a falar! Pedia tudo o que queria, expressava os seus desejos, suas raivas e frustrações, contava histórias, cantava… Claro que, sendo ele uma criança de pouco mais de 3 anos, o vocabulário não era super extenso e as palavras não saiam perfeitas, mas estava tudo bem! Finalmente eu tinha um pequeno tagarela!

No ano seguinte na escola, percebi que apesar de ele ter evoluído muito na questão da fala, ainda falava muito errado e de forma “anasalada”. O Pedro chupa o dedo desde o útero e eu já sabia que em algum momento isto seria um problema!

Conversei com a professora sobre as minhas preocupações e ela me disse que, em sala de aula, o Pedro se comunicava com todos, quando alguém não entendia o que ele queria dizer, ele se esforçava muito para se fazer compreender e estava dando tudo certo, ele estava no caminho certo. Sobre a questão da fala “anasalada”, ela me disse que achava que aquilo era o “sotaque” que ele estava adquirindo (somos paulistas, sotaque que puxa o erre. No nordeste, o erre é mais arrastado!) e ela achava normal, de toda forma, pedi para a fonoaudióloga da escola fazer uma avaliação com ele, para me tranquilizar.

Depois dos testes com a fono, ela me disse que sim, a questão de chupar o dedo poderia mesmo estar fazendo com que ele desenvolvesse a famosa “língua presa”, mas que por enquanto, eu deveria me esforçar para fazê-lo perder este hábito e continuar a corrigi-lo, ler muito, cantar muito e estimulá-lo a falar muito!

Fui fazendo isso mas, pra ser muito sincera, eu não consegui me dedicar 100% a fazer meu filho parar de chupar o dedo! Veja bem, ele não era filho único, eu ainda tinha uma bebê de 1 ano e meio para cuidar e assim, coloquei na minha lista de prioridades aquilo que estava dentro das minhas possibilidades:

– O hábito de corrigir sempre, de ensinar a pronúncia correta das palavras e evitar rir e incentivar as palavras erradas (por mais fofas que elas fossem!)

– Cantar, ler estórias, pedir para ele contar os “causos” dele, conversar muito para que ele pudesse aumentar sempre o seu vocabulário!

– Vigiar para que ele não chupasse o dedo durante o dia. Por exemplo, ele tinha o hábito de assistir TV com o dedo na boca, na cadeirinha do carro estava sempre com o dedo na boca e quando estávamos em casa e ele começava a ficar com sono, lá ia o dedo na boca outra vez!

Aos poucos, e com muita insistência, conseguimos tirar o dedo da boca durante o dia. Quando voltamos a morar em SP, ele já estava com 5 anos e daí, resolvi colocá-lo em sessões regulares de fonoaudiologia porque, reconheci que precisava de ajuda para fazê-lo largar o hábito de chupar o dedo e também, com a aproximação da alfabetização, me preocupava que ele tivesse dificuldades para ler e escrever.

Hoje, Pedro aos 7 anos, já não chupa tanto o dedo para ver TV, no carro ou quando está com sono mas, vez ou outra ainda pego ele no flagra com o dedo na boca. Como ele está maiorzinho, expliquei para ele o porquê de não poder chupar o dedo.

Além das questões da fala, a mão é suja, né? Pode levar um monte de doenças para a boca e o organismo e por isso, ele também colabora muito para “se cobrar” e “se corrigir” quando o hábito o leva a colocar o dedo na boca.

O Pedro está na segunda série do ensino fundamental, completamente alfabetizado e tem muitos problemas com algumas palavras. Ele troca D por B, L por R, arrasta o S no melhor estilo “carioca de ser” e tem dificuldades na hora de ler e escrever.

Eu faço tudo o que posso para ajudá-lo, mas me corta o coração ouvir ele dizer que os amiguinhos riem dele na escola, quando ele fala errado, enrosca a língua ou fala “achim” :(

Nosso plano de “ataque” tem sido, manter as sessões de fono, fazer os exercícios de língua, continuar a vigiar o dedo na boca e corrigir as palavras erradas. Não está fácil mas, tenho certeza que com paciência e persistência a gente chega lá!

Se você está em dúvidas sobre a evolução da fala do seu filho, olha esta tabela:

desenvolvimento da fala infantil

Claro que, cada criança se desenvolve de uma maneira e em um ritmo próprio, mas serve como um tipo de “guia”. Por exemplo, aconteceu assim com o Pedro mas, com a Cacá foi tudo diferente!

Com um irmão mais velho “dando exemplo” e com a necessidade de competir por atenção desde sempre, ela se desenvolveu muito rapidamente neste quesito! Aos 2 anos e meio já era super tagarela e hoje, aos 5 anos, fala tudo, corretamente e às vezes, me surpreende com palavras difíceis e “arranha” o inglês.

Se você anda cismada com o desenvolvimento da fala do seu filho, procure o seu pediatra e também, solicite a avaliação de um fonoaudiólogo! É fofo ver eles trocando letras e criando as suas próprias palavras, mas rir desta coisa “fofinha” pode acabar agravando uma dificuldade da criança e inibindo seu desejo de falar e se expressar com todos à sua volta!

Falar bem envolve escutar bem, socializar-se bem, expressar-se bem e ter mais qualidade de vida! Esteja atenta e esteja certa, paciência, amor e escolhas feitas com conhecimento e de maneira consicente são sempre o melhor caminho! Confie em você!

Bjs ;)

 

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