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Medo da Morte

Há alguns anos eu contei neste post AQUI um papo que tive com as crianças sobre a morte! Com certeza não é dos papos mais simples, especialmente quando envolve sentimentos aflorados por acontecimentos na família mas, naquela época, nosso papo não estava em volto em medo ou dores…

Agora, com as crianças nesta fase tweens, os medos são mais “reais”, sabe? Eles não tem medo de monstros e fantasmas, começam a compreender melhor o mundo e fazem distinção entre fantasia e realidade e é aí, que um medo real toma forma: o medo da morte!

Antes, a morte era uma coisa que simplesmente fazia parte do ciclo da vida, das plantas, dos animais e das pessoas, mas não era uma coisa que eles conseguiam compreender que doía quando acontecia..

Nesta idade, já entendem conceitos de saudades, dor, solidão… E aí, estão ultimamente cheios de inseguranças e com medo de que eu ou o pai possamos morrer a qualquer momento.

E eles não estão errados, né?

Quer dizer, para morrer basta estar vivo! E a gente sabe que há milhões de maneiras de “prolongar” nossa vida ao máximo como, cuidar bem da saúde, levar a sério questões de segurança etc. mas, também sabemos que infortúnios podem acontecer, e aí? O que dizer para as crianças sobre tudo isso?

Aqui em casa o papo sempre tem começado com perguntas de questões práticas, sobre envelhecer, sobre doenças sérias, sobre situações como assaltos, acidentes e afins. Eu adotei como estratégia responder sempre de maneira objetiva, responder conforme eles perguntam, sem fomentar mais questionamentos desnecessários nesta fase e sem alimentar medos.

Sempre enfatizo que estamos bem de saúde, que a gente se cuida, que eles não precisam se preocupar, que estamos bem, que eles estão bem! Quando o tema é segurança fora de casa, falo sobre cuidados de segurança que sempre tomamos e tento colocar a realidade sem grandes “fantasmas” na vidinha deles.

Mas é difícil!

E a parte mais difícil deste tipo de conversa com as crianças não é explicar e fazer com que eles compreendam, porque o mais incrível de tudo é que eles compreendem perfeitamente. Talvez até melhor do que nós!

O difícil é olhar para a carinha deles e dizer que está tudo bem e que eles não precisam se preocupar quando lá no fundo, você também tem medo!

Porque se tem uma coisa que mudou definitivamente em mim desde que me tornei mãe, foi esta noção de como o nosso tempo é precioso e de como as nossas vidas são tão frágeis!

Ás vezes, mesmo com todas as explicações lógicas, diretas e objetivas que dou para eles, eles apenas me abraçam e dizem que não querem que eu morra nunca. Que as mães deveriam viver para sempre junto com os filhos!

Eu seguro o choro, né?

Falo pra eles que vai demorar muito para eu morrer (apesar de eu não ter nenhuma certeza disso) e que eu estarei sempre com eles, mesmo depois que morrer. Tento fazer com que aceitem que isso é o ciclo da vida, e que as pessoas que morrem continuam vivas nos nossos corações e pensamentos.

Mas este é um tipo de raciocínio lógico que eles não estão interessados, porque não me querem apenas no coração! Querem poder abraçar, tocar, pedir colo… e a única coisa que preenche os pensamentos deles quando pensam na morte, é a ausência física!

Complicado, né?

Quando eles vieram com este “tópico” aqui pra casa eu tentei identificar o que é que estava engatilhando este tipo de pensamento. Descobri que alguns filmes de órfãos e alguns temas estudados na escola estavam despertando esta consciência.

Como o assunto não é obsessão deles, e o medo da morte não os está privando de nada, acho que está tudo dentro da naturalidade. Estes dias, num desses papos difíceis, após um verdadeiro interrogatório sobre todos os aspectos biológicos, espirituais e cabalísticos da morte, Pedro virou pra mim e disse:

– Quando eu crescer, vou ser cientista e vou descobrir um jeito de criar um tipo de vacina que vai fazer as pessoas viverem mil anos, ou pra sempre! Se elas quiserem! Daí, você nunca vai morrer e vai ficar comigo!

– Boa idéia, filho! Mas precisa pensar que estas pessoas que vão viver pra sempre precisam estar com saúde, qualidade de vida, ter amigos, serem felizes… se não, não vale a pena viver pra sempre, né?

– Eu sei, mãe! Vou resolver tudo isso, pode deixar!

A gente faz o que quando escuta estas coisas? A gente chora pra gente, e reza pra todos os anjos, santos, entidades, energias e o que mais estiver por aí, para que o acaso não nos pregue peças e para que a gente tenha forças para se manter saudáveis e seguros para estar por aqui por eles por muito tempo!

Faz parte!

E ter que responder estas questões, ter que pensar sobre isso, revirar dentro da gente os medos que enterramos e as perguntas sem respostas, faz com que possamos crescer, amadurecer como seres humanos. Nestas perguntas simples, de coisas que a gente finge que esqueceu, as crianças nos ensinam o que é que importa de verdade!

Tenham filhos, tenham sim! <3

A vida é um sopro! Esteja aqui, AGORA! ;)

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