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Intolerância ao glúten: como eu descobri

Quem me acompanha também no Instagram (segue lá gente, é o @bagagemdemae) já está sabendo que, há pouco mais de 2 meses eu descobri que tenho intolerância ao glúten, ou seja, sou portadora da doença celíaca.

Mas o que é isso?

Basicamente, a pessoa intolerante ao glúten (ou celíaca), não pode ingerir o glúten, que é uma proteína existente no trigo e outros tipos de cereais como: aveia, centeio e cevada. E quando a gente pensa na proibição da ingestão do glúten, qual a primeira coisa que vem na cabeça?

Nada de pães, massas, biscoitos e guloseimas em geral!

Quando eu recebi meu diagnóstico final, fiquei super chateada ao imaginar uma vida de privação alimentar. Vou confessar pra vocês que, eu amo comer! Acho que é um dos maiores prazeres da minha vida! Amo experimentar novos sabores, novos tipos de comidas…

Deprimi! :(

Mas tenho descoberto que viver sem glúten não é o fim do mundo! Já tem muitas coisas no mercado feitas sem glúten (apesar de serem bem mais caras) e na prática, excluir da dieta pães e massas, significa uma vida mais saudável. Resolvi encarar como uma oportunidade de ficar bem, mais saudável e mais disposta!

Comecei a compartilhar nas minhas redes sociais todos os meus achados sem glúten: produtos, receitas, substituições… E desde então, tenho recebido muitas perguntas sobre como eu descobri que sou intolerante, quais os sintomas e quais os exames a se fazer.

Então vamos lá!

Eu já sabia sobre a doença celíaca através de relatos de amigas com filhos portadores da intolerância, nunca imaginei que a doença celíaca pudesse aparecer em pessoas adultas e por isso, nunca havia desconfiado e fui pega de surpresa!

Desde o começo deste ano tenho sentido muito mal estar, dores nas articulações, desânimo, cansaço, falta de pique, inchaço no abdômen, intestino maluco hora me fazendo “rainha do trono”, hora me deixando “travada” por diaaas….

Claro que fui ao médico, investiguei as dores nas articulações, investiguei as dores de barriga, investiguei o cansaço e nada aparecia em exame nenhum! Até que em agosto aconteceram 2 episódios de “alerta”!

Primeiro, no meio de uma festinha de família regada a muito crepe, eu passei mal de um jeito que eu nunca havia passado antes! Minha barriga inchada, uma dor que parecia que meus intestinos iam explodir, pressão caindo, tontura…

Depois, fui viajar a trabalho e passei o voo inteiro correndo para o banheiro, com muita tontura, com muita dor no corpo, meu abdômen doía de um jeito que parecia que eu havia feito muitas abdominais, não podia ser tocada!

Ao invés do clínico geral, resolvi procurar um gastro que, na consulta clínica já observou o inchaço e achou que eu deveria estar com algum tipo de inflamação mas, não sabíamos em qual dos órgãos internos. Eu fiquei morrendo de medo e já achando que seriam as piores doenças do mundo.

O gastro pediu exames de sangue simples e resolveu incluir os exames que testam os anticorpos para intolerância, também fiz um ultrassom abdominal para verificar onde estava a inflamação. Nos meus exames, descobrimos a inflamação aguda nos intestinos e combinado com o positivo para intolerância, o ideal seria ter feito uma biópsia para verificar o estado dos meus intestinos. Mas o médico achou melhor curar as minhas dores primeiro e assim, iniciei a dieta sem glúten e o tratamento da inflamação.

Com 15 dias de restrição ao glúten (mais medicação para a inflamação e dores) a minha barriga milagrosamente desinchou e a minha “vida no banheiro” voltou ao normal. Depois de 30 dias, eu parei de sentir dor e hoje, com quase 3 meses de vida sem glúten, me sinto incrivelmente melhor!

Claro que, isto foi o que aconteceu comigo e as decisões médicas baseadas no meu histórico clínico e na minha consulta. Não quer dizer que para todo mundo será assim! Cada médico toma suas próprias decisões quanto a como conduzir cada caso.

No meu caso, o médico optou por iniciar imediatamente a dieta de restrição do glúten e tratar a inflamação que estava me causando muitas dores!

Eu quis saber tudo sobre a doença celíaca, precisava entender o que está acontecendo comigo e como vou conviver com isto até o final da minha vida! Por isso, vou compartilhar com vocês tudo o que descobri e também, algumas respostas de perguntas que me fizeram nas minhas redes sociais:

O que é a doença celíaca e como “se pega”?

A doença celíaca é uma doença autoimune ou seja, o corpo de quem tem intolerância ao glúten libera anticorpos para o combaterem. Estes anticorpos acabam por “atacar” as paredes do intestino e  nesta ação surgem as dores, o cansaço, o inchaço, as inflamações… A doença celíaca é genética e costuma aparecer na vida do bebê entre 1 e 3 anos ou, somente na fase adulta. Quando a pessoa é mais resistente e passou toda a vida com pequenos sintomas até que, o intestino diz “chega!” (meu caso!).

Quais são os sintomas?

Como eu disse, varia muito de pessoa para pessoa e o melhor é sempre conversar com um médico mas, no meu caso eram estes aqui: prisão de ventre, diarréia, dores abdominais, cansaço, vômito, perda de peso, ganho de peso, dores de cabeça, dores nas articulações. Por serem sintomas que também aparecem em outras doenças, é muito importante ter acompanhamento médico e se houver suspeita, solicitar o exame específico!

Quais os exames específicos para descobrir a intolerância?

O melhor é que você consulte um médico gastroenterologista, que é especialista no aparelho digestivo. Na consulta clínica, você vai repassar todo o seu histórico de dores, sintomas e suspeitas e então, ele vai solicitar exames simples de sangue. Estes exames testam as dosagens de imunoglobulina e de anticorpos, os mesmos exames podem ser solicitados para crianças quando a mãe suspeitar da intolerância. É importante dizer que, para que o exame possa acusar a alergia, é preciso que a pessoa a realizar o exame esteja ingerindo glúten! Ou seja, se você começar uma dieta sem glúten, e depois realizar o exame, ele pode falhar!

Com o resultado de sangue apontando positivo, é necessária uma biópsia do intestino para confirmar a intolerância e descobrir o tamanho do “estrago”. Fica a critério médico! No meu caso, ainda não fiz.

Isso “passa” de pessoa para pessoa, é curável? 

Geneticamente, pode ser transmitido! Se você descobrir que tem intolerância ao glúten, faz bem em solicitar os exames também para os seus filhos assim, já passa a protegê-los antes que a coisa piore na vida adulta. Como aconteceu comigo!

Aqui em casa, o Pedro já havia sido testado quando iniciamos as investigações para a causa da asma e por isso, eu já sabia que ele não era intolerante ao glúten. Tive que fazer o exame de sangue somente na Cacá, e também deu negativo.

A doença celíaca não tem cura, tem controle!

O que pode e o que não pode?

Na teoria seria só evitar pães e massas: macarrão, pizza, bolos, biscoitos… Mas na prática, quase tudo no supermercado contém glúten, até coisas que você nem imaginaria como sorvete, chocolate, tempero pronto e farinhas que na teoria, não deveriam ter trigo.

A parte boa é que, todos os alimentos industrializados são obrigados a conter em suas embalagens/rótulos a informação “Contém Glúten” ou “Não contém Glúten” assim, o olho que vivia a investigar os rótulos antes da compra, está ainda mais treinado e atento para as informações nutricionais e ingredientes dos industrializados.

Lembra que eu disse que ia encarar a dieta sem glúten como uma nova chance de ser mais saudável?

Então, a outra boa notícia é que viver sem glúten é basicamente viver longe dos industrializados, coisa que eu já evitava aqui em casa. Legumes, verduras, frutas, hortaliças e carnes estão super liberadas e não contém glúten então, passei a cozinhar mais em casa!

Claro que dá a maior saudade de comer uma pizza, um sorvete de casquinha, um chocolate simples da padaria, um bolo gostosinho da casa da vó…

Mas, eu tenho consciência de que estou em processo de remissão! Depois do início da dieta sem glúten, nosso organismo leva de 6 a 12 meses para expelir todos os anticorpos produzidos nas crises alérgicas e assim, se eu cair em “tentação” agora, além de sofrer com as dores, estarei caminhando para trás no meu tratamento.

Tenho encontrado algumas alternativas de produtos e marcas que produzem sem glúten, e feito algumas substituições na minha rotina alimentar que têm me ajudado muito no processo. Olha só:

  • No café da manhã, substituí o tradicional pão francês por tapioca, pão de queijo ou ovos mexidos;
  • Para matar a vontade de massas, tenho encontrado no supermercado algumas marcas que produzem os mais variados tipos de macarrão sem glúten: Urbano, Schar, Vitalin…
  • Tenho pesquisado e aprendi a fazer algumas receitas usando farinha de arroz e amido de milho, não fica igual mas, mata a vontade de bolos, tortas, pães e afins;
  • Quando estou com muita vontade de comer uma “tranqueira”, apelo para as marcas de snacks que são sem glúten e mais saudáveis. Minhas prediletas: Roots to Go, Good Soy, Schar e Jasmine;
  • Sobre doces e sobremesas, não dá pra inventar muito e a minha sorte, é que nunca fui muito “formiga”. Tenho optado por frutas com caldas naturais, chocolate só quando é no mínimo 60% cacau (e assim, sem glúten) e os sorvetes de massa da Nestlé não contém glúten, assim como os picolés de frutas da Kibon.

Desde que comecei a dieta de restrição, descobri que existe uma “modinha” da galera tirar o glúten para emagrecer. Isso é uma coisa legal porque estimula o mercado a produzir cada vez mais opções sem esta proteína mas, é ruim porque algumas vezes em que questionei em restaurantes e hotéis, as pessoas simplesmente acharam que eu estava questionando por fazer dieta para emagrecer e assim, eu sofri com a contaminação cruzada! :(

Porque tem isto também, a vida de um celíaco não é só tirar o glúten do cardápio! Há que estar atento para não contaminar acidentalmente a comida sem glúten que se está preparando. E isso significa não usar a mesma panela, prato, garfos, facas e utensílios que se está utilizando nas preparações com glúten.

Em casa é mais fácil de controlar isso, mas comer fora que era um grande prazer meu, se tornou quase impossível!

Se eu disser pra vocês que está sendo super tranquilo, é mentira! Tem dias que tenho vontade de chorar de pensar nestas privações, mas de maneira geral, estou indo bem! Todos os dias eu agradeço por ser comigo e não com os meus filhos! Se pra um adulto já é difícil, imagino a dificuldade das privações com as crianças! :(

Se você anda se sentindo com alguns destes sintomas, procure um gastro e converse sobre a sua desconfiança. Faça os exames! O mesmo vale para se a desconfiança estiver nos sintomas do seu filho. O gastropediatra é o médico que você deve procurar em caso de suspeita nos pequenos!

E quem também tiver dicas de receitas, produtos, truques, dúvidas ou quiser só chorar comigo por causa de tudo isso, compartilha aí e força na peruca! Vai dar tudo certo!

Bjs! ;)

instagram @bagagemdemae

Meus achados sem glúten da semana! Me segue lá no insta para ver mais @bagagemdemae ;)

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