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Icterícia no recém nascido: o que é e por que acontece

 

caca

Cacá, minha amareladinha mais linda! hihihi <3

Já contei por aqui que, para conseguir engravidar do Pedro precisei fazer alguns tratamentos, nada muito sério mas, foi uma gestação toda planejada e cheia de cuidados e intercorrências. Passei os quase 9 meses de gravidez morrendo de medo de que alguma coisa pudesse acontecer com o meu bebê e quando ele nasceu, prematuro, precisou ficar na UTI e eu sofri muito!

Por causa de tudo isso, eu simplesmente resolvi (com muita dor no coração) que não engravidaria novamente, apesar de sempre ter sonhado com um casal, eu não queria passar por nada daquilo de novo, e achei melhor agradecer muito pelo filho tão desejado que eu já tinha e mais tarde, adotar outra criança.

Daí, no meio da loucura da rotina de uma mãe de bebê, não reparei que já fazia um bom tempo que eu estava com a menstruação atrasada. Eu nem cogitei uma nova gravidez, na minha cabeça, seria simplesmente impossível engravidar novamente de maneira natural e por isso, fiquei preocupada, achando que estava com algum outro problema de saúde.

Resolvi fazer um teste de farmácia só por desencargo de consciência mesmo e então, o resultado foi super positivo! Eu ainda estava incrédula, fiz o exame de sangue e ele acusou um Beta Hcg altíssimo, o que me deixou desesperada imaginando serem gêmeos!

Corri para o ultrassom e descobri que eu não estava grávida, estava MUITO grávida de 11 semanas! /0\ Parece aqueles episódios de “eu não sabia que estava grávida” mas gente, eu estava acima do peso, sentia náuseas e enjoos direto por causa da minha gastrite, vivia cansada por correr atrás do Pedro (que tinha cerca de 1 ano e meio) e por isso, nunca imaginaria uma nova gravidez!

Mas lá estava ela, minha pequena princesa, linda, grande, perfeita e crescendo dentro da minha barriga. A gravidez da Cacá correu sem nenhuma intercorrência, tudo bem e tranquilo, eu tive tempo e calma para fazer tudo o que era preciso e esperei por ela sem pressa, sem a ansiedade do primeiro filho.

Quando me aproximei das 36 semanas, comecei a ficar com uma pontinha de medo. Tinha medo de ela ser apressadinha como o Pedro e acabar nascendo prematura, eu não queria passar por tudo aquilo de novo e principalmente, eu não queria que ela sofresse nenhuma dificuldade aqui do lado de fora.

Todos os dias eu conversava com a minha barriga e pedia pra ela esperar, pra chegar nas 40 semanas, pra não ter pressa e então, com 39 semanas e 4 dias ela resolveu nascer!

Lá no hospital, eu fiquei meio apavorada, não sei explicar direito, de repente, me deu um medo absurdo de acontecer alguma coisa comigo e o Pedro ficar sem mãe, depois fiquei com medo de acontecer alguma coisa com o Pedro, que estava na casa da minha sogra e por último, comecei a ficar desesperada imaginando que a Cacá poderia nascer e ir para a UTI também, fiquei tão em pânico que a minha pressão caiu e eu desmaiei, foi tenso!

Passado este estresse, ela nasceu! Linda, grande, com 2,970kg e 48cm, completamente saudável e perfeita, com pulmões bem fortes e um choro alto e bravo!

Nas primeiras horas que fui para o quarto, fiquei torcendo para ela vir logo, e ela veio! Tudo estava indo bem até que, na mamada da madrugada, ela não veio, ao invés disso, recebi uma ligação do berçário me pedindo para ir até lá conversar com o pediatra… gelei!

Chegando lá, ele me explicou que a Cacá não desceria para o quarto pois, estava com a icterícia muito alta e precisaria ficar no banho de luz. Meu coração despedaçou!

Apesar de saber que não era nada super grave pois, o Pedro também havia tido icterícia quando nasceu, eu não entendi por que ela precisaria ficar no banho de luz, já que o Pedro não precisou de nada disso. Pedi para o pediatra do hospital me explicar aquilo direitinho e depois, ainda pedi mais explicações para a minha obstetra porque, sabe como é mãe, né? Já tava achando que era tudo culpa minha!

A icterícia em recém nascidos é super comum, mais de 50% dos bebês ficam “amareladinhos” nos primeiros dias de vida, não há nada de grave e não é preciso se desesperar porém, é preciso o acompanhamento do pediatra.

Quando o Pedro nasceu, o nível de icterícia dele estava dentro do considerado “normal”, ou seja, acima de 5 mg/dl (miligrama por decilitro de sangue) o que a torna visível mas, abaixo do considerado “perigoso” (à partir de 12 mg/dl) e por isso, ele não precisou do “banho de luz” ou, fototerapia.

“A icterícia aparece no bebê saudável quando o sangue fica com excesso de uma substância chamada bilirrubina, que é produzida pelo organismo durante o processamento dos glóbulos vermelhos de que ele não precisa mais. Os recém-nascidos tendem a ter níveis de bilirrubina elevados porque possuem hemácias extras em seu corpo, e seu fígado ainda não consegue metabolizar a bilirrubina.”*

*fonte: BabyCenter Brasil

Para reconhecer se o seu bebê tem icterícia, observe os seguintes sinais:

  • Para os bebês nascidos a termo (ou seja, após as 37 semanas) a icterícia costuma surgir no segundo ou terceiro dia de vida;
  • Para os prematuros, a icterícia aparece entre o quinto e sétimo dia de vida;
  • Para saber se o amarelado do seu bebê é icterícia, faça o seguinte teste: pressione levemente o peito do bebê, se a pele ficar amarelada quando você parar de fazer pressão, ele provavelmente está com icterícia. Entre em contato com seu pediatra ou, retorne ao hospital em que o bebê nasceu para que seja feito o exame de sangue.
  • Para bebês com a pele mais escura, observe se há amarelado na gengiva e nos olhos.

Apesar de ter este nome esquisito, a icterícia não costuma ser grave, apenas em casos raríssimo e de falta de assistência é que podem surgir problemas neurológicos decorrentes da icterícia. No caso do Pedro, a icterícia apareceu tardiamente, já que ele foi um bebê prematuro, e pudemos tratá-lo apenas com alguns minutos de sol todos os dias. Já no caso da Cacá, ela apareceu dentro do prazo esperado e estava bem mais forte do que no Pedro, com 13 mg/dl, o que já é considerado alto e por isso, há a necessidade do tratamento com fototerapia.

As causas da icterícia são a falta de capacidade do fígado em processar o excesso de bilirrubina e também, algumas condições genéticas, como por exemplo:

  • Bebês asiáticos têm mais tendência a ter icterícia e
  • A incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê.

No nosso caso, o que resultou a icterícia foi justamente o raríssimo caso de incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, eu tenho tipo sanguíneo O+ e as crianças, nasceram com o tipo sanguíneo do pai, B+. Quando digo raríssimo, não é porque é difícil de encontrar mães e bebês com tipos sanguíneos como os nossos mas, nem toda mãe e bebê com estes tipos sanguíneos estarão fadadas a sofrer com os níveis elevados de icterícia, é realmente bem raro de acontecer.

De toda forma, com assistência e cuidado a icterícia não é grave e passa sem maiores transtornos. A Cacá precisou fazer a fototerapia intensiva, este tratamento consiste em manter o bebê em um bercinho, só de fralda, com os olhos protegidos e recebendo a iluminação direta de luzes fluorescentes.

Não dói nada e costuma ser bem tranquilo, já que os recém nascidos dormem durante boa parte do tempo, eles nem percebem que estão ali, ficam apenas irritados com os olhos vendados quando acordam para mamar e há o inconveniente da picadinha da agulha para a coleta de sangue, que é necessária para acompanhar a evolução do tratamento.

Vou confessar pra vocês que, a primeira vez que fui ver a Cacá na fototerapia, eu me assustei com ela de olhos vendados, depois peguei no colo, amamentei e já devolvi para o bercinho iluminado pois, quanto mais tempo ela passasse debaixo da luz, mais rápido sairia de lá.

Eu sofri muito quando o médico me deu a notícia de que ela não teria alta junto comigo, apesar de saber que ela estava bem, ninguém merece voltar pra casa sem o bebê, e pela segunda vez, né?

Depois que tive alta, fiquei “acampada” na recepção do hospital pois, queria garantir que a Cacá seria amamentada toda vez que chorasse, fiz isso durante todo o dia até que, de noite, o Pedro deitou no meu colo e me pediu para ir pra casa, ele queria descansar.

Meu coração ficou partido de ver o meu pequeno, também bebê, ali todo de “qualquer jeito” no sofá do hospital, naquele momento entendi que, agora como mãe de dois, eu precisava fazer escolhas mais acertadas, e que levassem em consideração o bem estar dos dois.

Como a Cacá estava bem assistida dentro do hospital, concordei em ir embora! Antes, passei no banco de leite e tirei todo o leite suficiente para ela mamar de madrugada, na manhã do dia seguinte, eu já estava lá de volta e no final do dia, finalmente ela teve alta!

Foi um sufoquinho e deu um belo de um susto sim, mas no final, deu tudo certo! Quem me segue por aqui, sabe que a Cacá está aí, linda, princesa, forte e saudável!

Se você desconfia que seu bebê pode estar com icterícia, procure seu médico com urgência e se ele já foi diagnosticado e está sob tratamento, fica calma! A icterícia assusta mas, passa rápido e sem sequelas para a vida do pequeno!

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Comentários

4 comentários via blog

  1. Bianca comentou em

    Desculpe… Eu entendi errado ou seus filhotes são AB? Se for isso, é impossível se você é do tipo O. Porque o tipo O é recessivo…. Acho que eu entendi errado, certo?! Rsrsrsrs

    1. Loreta Berezutchi respondeu Bianca em

      Oi Bianca, eles são B+, igual ao pai! ;)

  2. Cristiane comentou em

    Olá, tudo bem?

    Adorei seu blog e sua história super inspiradora! Estou de 33 semanas e super ansiosa, com um pouco de medinho a cada dia que se aproxima do parto. Imagino que muitas mamães passam por essa mesma situação que passaste, mas como tudo passa, graças a Deus seus filhotes, apesar de não sairem com você do hospital, ficaram bem. Deve ser uma missão ter que cuidar de dois filhos, e eu admiro muito essas mamães guerreiras! Torço para que Deus me de forças para ser uma boa mãe.

    E é ótimo saber dessas informações, ler experiências de outras mamães sempre ajudam!

    Um abraço.

    1. Loreta Berezutchi respondeu Cristiane em

      Oi Cris! Muito obrigada pelo carinho! Ser mãe é mesmo a maior e mais deliciosa aventura de uma vida! É incrível como encontramos forças que nem sabíamos que tínhamos e medos que nem imaginávamos que existiam. Fica tranquila que vai dar tudo certo e depois, volta aqui pra me contar sobre seus primeiros dias com o baby, tá? Super beijo! ;)