Categorias Saúde

Febre Amarela: tudo o que você precisa saber

Parece que a triste tradição do verão brasileiro é sofrer com o bendito do mosquito Aedes Aegypti e as novidades que ele sempre traz! Este ano ele não decepcionou, e o que tem deixado todo mundo de cabelo em pé é a Febre Amarela!

Quem tem crianças em casa, já fica naquela tensão! E por aqui não foi diferente…

Como vocês sabem (contei neste post AQUI), nós acabamos de nos mudar para uma nova casa, em uma área mais cheia de VERDE, NATUREZA, FLORESTA…

Aqui no nosso condomínio inclusive, tem uma área de preservação ambiental, onde é possível fazer trilhas e caminhadas na mata e avistar saguis e macacos bugios, coisa linda! Delícia de vida ao ar livre para as crianças, né?

Só que tá meio complicado!

Quando me dei conta da junção “mini floresta” + macacos + mosquitos me deu um mini pânico! Será que eu tô vivendo em uma área potencialmente perigosa?

Mas calma!

Antes de pirar, resolvi me informar sobre a doença, seus meios de transmissão e prevenção e também, sobre as áreas de risco e como fazer para se proteger. Estar informada é sempre a melhor maneira de proteger toda a família e por isso, decidi compartilhar com vocês um tira dúvidas elaborado pelo Hospital Santa Joana e respondido pela Dra. Rosana Richtmann, infectologista da instituição.

Olha só:

  • Como a doença é transmitida?

Muito comum na América do Sul e Central, além de alguns países da África, a Febre Amarela é uma arbovirose, ou seja, uma doença causada por um vírus da família Flaviviridae, a mesma da Dengue e do Zika e transmitido por meio da picada de mosquitos em áreas urbanas e silvestres.

A transmissão se dá exclusivamente pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes, no ciclo silvestre, e Aedes Aegypti, no meio urbano. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

  • Qual a melhor forma de prevenção?

A principal medida preventiva é a imunização por meio da vacinação, que é altamente eficaz.

  • Quais são os sintomas provocados pela Febre Amarela?

As manifestações mais leves da doença incluem febre alta de início súbito, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

Apesar de menos frequente, a forma mais grave da doença pode causar cansaço intenso, insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados) e hemorragias, podendo levar a morte.

  • Qual é o tratamento para a doença?

Ainda não existe um medicamento que atue diretamente no vírus, por isso, o paciente diagnosticado deve ser hospitalizado para tratar os sintomas com reposição de líquidos e monitoramento da atividade hepática e renal.

  • Quem deve tomar a vacina na cidade de São Paulo?

Nesse primeiro momento, a atenção está voltada  para a população da Zona Norte da cidade, onde há maior possibilidade de contato com os mosquitos que transmitem a doença. As ações de prevenção devem ser aumentadas progressivamente ao longo dos próximos meses.

  • Existe alguma restrição?

Por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado, existe um risco de complicações em pacientes mais vulneráveis. Fazem parte deste grupo:

– Gestantes

– Mães que amamentam bebês com menos de 6 meses de idade (pois existe o risco de transmitir o vírus pelo leite)

– Bebês com menos de 9 meses

– Pessoas imunodeprimidas em razão de doença ou tratamento (quimioterapia, radioterapia, por exemplo)

– Alérgicos a proteína do ovo

  • De que forma as gestantes e demais pacientes vulneráveis podem se proteger?

Como primeira medida de segurança, esse grupo deve evitar as áreas de mata da cidade, especialmente a região do Horto Florestal. Caso isso não seja possível, existem algumas outras formas de se proteger:

  • Optar por roupas claras, pois cores vibrantes atraem o mosquito;
  • Usar manga comprida e calça comprida, cobrindo principalmente as pernas e os pés (pois os mosquitos costumam voar baixo)
  • Usa repelente diariamente – essa dica é especialmente importante para gestantes, para evitar outras doenças como Dengue e Zika;
  • No caso de bebês com menos de 2 meses, quando o uso do repelente não é indicado, a recomendação é usar um mosquiteiro em volta do berço e manter o ambiente fechado e fresco.

 

  • Que complicações a doença pode ocasionar durante a gravidez? E para o bebê?

Como a resposta imunológica da mulher é modificada durante a gestação, muitas doenças infecciosas acabam sendo mais graves para as gestantes. No caso da Febre Amarela, caso ocorra a manifestação grave da doença, os efeitos podem ser fatais, tanto para mãe quanto para o bebê.

Diferentemente de doenças como o Zika, não há nenhuma indicação científica que a febre amarela durante a gravidez cause sequelas ou problemas congênitos no bebê.

  • Quem já é vacinado precisa repetir a dose?

Não é necessário. Segundo orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil adotamos a dose única da vacina.

Para complementar as respostas da Dra. Rosana, outras respostas de dúvidas que têm surgido por aí:

  • Onde se vacinar?

Os postos de saúde públicos da cidade e do Estado oferecem a vacina gratuitamente. Quem preferir, pode optar pelas clínicas de vacinação particulares.

  • Existe diferença entre a vacina oferecida gratuitamente e a vacina da clínica particular?

A vacina oferecida nos postos de saúde são fabricadas pelo Instituto Butantã e não comercializadas para instituições privadas por isso, as clínicas particulares oferecem vacinas desenvolvidas por outros laboratórios (como o Sanofi, por exemplo, que fabrica na França). Ambas as vacinas têm a mesma eficácia e duração, 10 anos.

  • O que é a tal da vacina “fracionada”?

Por causa da alta procura pela vacina, o Ministério da Saúde decidiu fracionar a dose da vacina assim, a vacina que antes era suficiente para apenas 1 pessoa, agora servirá para 3 pessoas.

Este fracionamento não causa falta de eficácia na vacina, apenas diminui o tempo de imunização. Ao invés de ter validade de 10 anos, a fracionada terá validade de 8 anos.

Outro empecilho da vacina fracionada, é que ela não é válida para vistos de viagens internacionais de destinos onde ela é requerida (como Cuba, por exemplo). Porém, é bom lembrar que, as vacinas fracionadas serão aplicadas a partir de fevereiro/2018 quando entramos em campanha de imunização.

As vacinas que estão nos postos AGORA, são as de dose única e inteira!

  • Não estou encontrando a vacina, o que devo fazer?

Ligar para os postos de saúde e clínicas mais próximas para se informar sobre o recebimento de novas doses e manter aqueles cuidados básicos de verão: não deixar água parada e usar muito repelente!

Aqui em casa, apesar de nossa região não ser considerada “de risco”, já decidimos que vamos vacinar a família inteira! Como ainda não consegui encontrar a vacina disponível, combinei com as crianças que devem evitar entrar nas trilhas e áreas de mata fechada que tem por aqui e todos os dias antes de eles saírem para brincar, eu besunto a galera de protetor solar e repelente!

Aliás, é sempre bom lembrar que a ordem é esta mesmo: protetor solar primeiro, espera alguns minutos para ser absorvido pela pele e depois, aplicar o repelente em spray ou gel. No caso do repelente, eu sempre opto por aqueles a base de ICARIDINA, que é o único princípio ativo que afasta o Aedes Aegypti e prefiro produtos de longa duração, que aguentam o pique das crianças e não saem no primeiro suor ou passada de mão. Já existem no mercado produtos muito seguros e indicados para bebês a partir de 6 meses!

Mãe tem que estar sempre atenta, né? Mas nada de entrar na neurose e deixar a família toda doida também! Se informe, se proteja, use repelente, vacine-se e bora curtir este verão!

Bjs! ;)

Acabaram os passeios na mata por aqui! :(

 

Deixe seu comentário

Comentários

2 comentários via blog

  1. Josiane comentou em

    Nao entendi em relação ao tempo que a vacina dura a fracionada 8 anos certo?
    É a dose inteira 10 anos?

  2. Eduardo comentou em

    Obrigado por compartilhar, eu trabalho fazendo ensaios fotográficos em parques que geralmente tem a placa (Perigo Risco de Febre Amarela) isso me deixa preocupado sempre. Tenho evitado esses parques. Gratidão!