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Criando casquinha…

Que ter filhos é estar em constante aprendizado, ao mesmo tempo em que se tenta ensinar alguma coisa, eu já sabia! Mas agora, estamos numa fase em que, além de me equilibrar entre ser aluna e professora, também preciso aprender a criar casquinha…

Vou explicar…

Sabe quando o seu bebê tá chorando, você não sabe mais o que fazer e de repente, a vó, o pai ou a vizinha pegam no colo e ele para e começa a sorrir e isto te dá uma dor no fundo do coração? De ciúmes mesmo, de se sentir preterida ou de ter medo de não ser o suficiente?

Então…

Quando o bebê “dá dessas”, ele não faz por querer e normalmente, ele para de chorar porque a pessoa que o pegou para consolar é “novidade” e ele levará algum tempo para testá-la e confiar nela ao passo de que com você, ele sabe que pode chorar muuuuuito porque você o ama incondicionalmente.

Claro que dói, falei sobre isso neste outro post AQUI, mas os bebês fazem isso de maneira inconsciente, ninguém está “punindo” ninguém e daí, eles crescem…

Eles crescem ja sabendo do seu amor, já sabendo dos seus limites, das suas reações e do que podem ou não podem fazer com você. E ao mesmo tempo, eles também estão descobrindo novos limites, quem eles mesmos são, o que é legal e o que não é, quais as reações de cada uma de suas pequenas ações e sabe pra quem “sobra”?

Exatamente, pra você!

Porque os seus filhos sabem que você é a única pessoa que, por mais que ele seja rude, antipático ou esteja no mal humor do Seu Saraiva, você sempre vai amá-lo! E daí, ele deixa para se “libertar” daquela coisa de manter o equilíbrio, quando ele está em casa com você!

Isso significa muitas patadas, muitas respostas enviesadas, muitas “bufadas” de insatisfação, muita negociação e muita, muita, muita paciência que ambos precisam ter!

Sim, ambos!

Porque você está aí, criando casquinha para não sentir o impacto destas “pancadas” tão profundamente, doutrinando a sua mente e coração para entender que esta é uma fase como muitas outras que vocês já passaram juntos e o seu filho…

Ele está aprendendo a ter paciência para explicar o que você não consegue entender, a encontrar a lógica, o sentido e os seus “porquês” para conversar e traduzir o mundo que o cerca, ao mesmo tempo em que não pode esquecer que apesar do seu amor incondicional, você tem expectativas sobre ele e ele sabe bem, e ele também precisa viver com esta pressão!

Ufa! Complicado, né?

A nós, que somos os adultos, cabe a parte mais difícil que é sempre se lembrar de tudo isso e manter esta visão macro da situação, assim como você fazia (ou deveria ter feito) naquela fase em que ele se atirava no chão do shopping e você achava que isso não teria fim e que era o fim do mundo!

A parte ruim desta nova fase, é que ela dura um pouco mais do que durou a infância… #saudadesfraldas

Desde que a criança entra na puberdade e depois na pré-adolescência, estará neste ciclo até pelo menos os 20 anos! Sim, eu disse 20 anos!! E você aí reclamando do terrible two! Shame…. hahahaha

Claro que, cada indivíduo cresce e evolui em seu próprio ritmo e pode ser que o seu rebento amadureça um pouco antes, ou um pouco depois. Fato é que se você não entrou nesta fase, vai passar por ela e sim, vai doer!

Dói muito ouvir ele bufar toda vez que eu peço alguma coisa, dói muito ouvir suas reclamações para qualquer nova idéia que eu apresente, dói muito não ter mais o pequeno carinhoso de sorriso fácil, dói muito ouvir ele aumentar a voz comigo, logo comigo, que nunca grito, nunca!

Dói!

E é por isso que eu preciso aprender a criar esta casquinha! Porque a real é que eu nunca tive! As pessoas em geral sempre me magoaram porque eu não sei muito bem me defender! Em tudo o que faço, me entrego! Vou de corpo, alma, coração…

Ás vezes, me imagino como um nervo exposto, sabe? As coisas realmente me afetam e olha, é uma luta de anos para que eu compreenda que as pessoas em geral não estão contra mim, estão a favor delas e o resultado de tanta luta para não me machucar mais foi me esconder!

Quer dizer, eu meio que criei um iglu em volta de mim! Eu vejo tudo, posso até interagir, mas não permito que qualquer um entre, entende?

Como não consegui criar a minha casquinha (ou armadura) eu criei um tipo de barreira, um distanciamento, para me proteger. Uma vez que alguém ultrapassa esta barreira, estou exposta! Qualquer coisa que esta pessoa fizer ou disser vai me afetar da maneira que esta pessoa tiver a intenção.

Dá pra imaginar como é difícil confiar em pessoas que possam me ter assim, tão exposta e completamente vulnerável? Pois é…

Só que com filho a coisa é toda diferente! Porque apesar de você carrega-lo por 9 meses você não sabe quem ele é, a pessoa que vai se tornar. E sim, a sua função como mãe é ensinar a ele tudo de melhor para que ele seja a melhor pessoa possível mas, você não é 100% responsável por quem ele é ou será!

Porque por mais que você queira ter esta sensação de controle, filhos são pessoas únicas e originais, com seus próprios “porquês” instalados de fábrica, e isso independe de você!

E filhos já nascem do lado de dentro da barreira, eles sempre estarão deste lado e sendo assim, eles podem fazer comigo o que quiserem fazer, da mesma maneira em que eu como mãe posso fazer o que quiser com eles, já que filho também não tem barreira para proteger de mãe (ou não deveria ter).

E daí, os sentimentos todos se confundem! A gente chora, ri, sofre, perde a paciência, respira fundo, desiste, reanima… e dói!

Dói!

Mas eu jamais expulsaria meus filhos de dentro da minha barreira, especialmente porque sei que eles são pessoas dignas de estarem aqui, mas de vez em quando, tomam decisões erradas, assim como eu também tomo, e podemos nos magoar!

Dói!

Mas assim são as relações humanas verdadeiras, sem máscaras, sem interpretação, sem tentativas de ser o que não somos para impressionar, elas são cruas e… dói!

Mas a gente respira fundo e lembra que o adulto somos nós, e por mais que talvez não sejamos os melhores adultos do mundo, e por mais que talvez tenha nos faltado na infância o exemplo e o apoio de adultos melhores, agora a batata está na sua mão e é a sua vez de mostrar que você pode ser um adulto do bem!

E respirar fundo, e contar até 10, até 1 milhão, e lembrar de tudo isso, e ter saudades de quando a sua única preocupação era se o desenho da Princesa Sara iria passar no sábado ou não!

Dói! E não precisa doer tanto!

Se a minha escolha como mãe é acolher e amar, isso não significa que eu preciso ser uma “mamona” que não faz nada em vista de atitudes ruins afinal, educar é dar limites e mostrar que doeu também é ensinar que não pode ser repetido.

E daí, eu vou criando a minha casquinha! Uma casquinha que não chega a ser uma armadura, que não é nem nunca será uma barreira! Mas me mantém lúcida da realidade atual, dos “porquês” dos meus filhos, dos meus “porquês” e mais do que isso, me ajuda a tomar as atitudes necessárias e que nem sempre serão agradáveis, sem culpa!

Hoje tá doendo! A casquinha tá funcionando, ela foi bem efetiva nas broncas que precisei distribuir, mas ela é mais daquele tipo absorção de impacto do que simplesmente repelir, sabe? E por isso, até que toda a “porrada” tenha passado por todo o meu corpo e encontrado seus motivos para virem e irem… dói!

Mas amanhã passou!

Ai que saudades de trocar fraldas….

vida de mãe

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