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Como ensinar seu filho a ser um bom amigo

Pedro está nesta fase em que os amigos e as amizades se tornam cada vez mais importantes, e a opinião que estes “amigos” tem sobre ele são cada vez mais levadas em consideração na hora de ele formar sua auto-imagem.

Mas nem todos os amigos são bons amigos, e em tempos de bullying cada vez mais destrutivo, é preciso ensinar aos nossos filhos a serem e reconhecerem um bom amigo!

amigos

E o que é um bom amigo? Como ensinar aos nossos filhos a serem estes bons amigos e mais importante ainda, como ensiná-los a reconhecerem entre tantas opiniões e coleguinhas quais são os amigos em que eles podem confiar?

Acho que a parte mais complicada de ser mãe e educar uma criança é ter que ensinar pra ela sobre questões emocionais que você mesma não tem muito domínio. Falar sobre amizades, pra mim, é uma destas questões.

Mas eu também acredito que ser mãe é uma oportunidade de aprender, de se reinventar e de procurar por valores que você realmente acredita para transmiti-los de forma segura e na crença de estar fazendo um bom trabalho.

De vez em quando, o Pedro chega em casa cheio de queixas e chateações porque tal colega fez isso, outro fez aquilo e muitas vezes, a gente fica meio sem saber o que responder, como explicar, como dizer pra ele se está certo ou errado, como se defender…

Falei sobre a amizade e as coisas que já rolaram por aqui nestes outros posts AQUI e quem acompanhou sabe que, pra mim, responder com violência nunca foi e nem nunca será uma opção, mas e quando os nossos filhos são alvo desta violência?

Depois de escutar muitas coisas por aí, de ler muito e de me colocar no lugar dele e de volta em minha própria infância, decidi que o óbvio melhor caminho é mesmo transformar o meu filho em um bom amigo para que ele saiba quando um outro colega não estiver sendo um bom amigo.

A lógica é a seguinte: se ele age de uma maneira correta e boa com todos os amigos e alguns deles não o tratam da mesma maneira então, estes não são bons amigos!

Para chegar nesta lógica simples, é preciso deixar muito claro o que é um bom amigo e é claro que, quando falamos de relações pessoais, tudo depende de pessoa para pessoa, dos limites que cada um coloca para si. Mas como estamos falando de crianças, listei estas aqui:

  • Um bom amigo é gentil com você
  • Um bom amigo te ajuda com problemas ou situações
  • Um bom amigo não te dá apelidos feios ou faz brincadeiras que magoam
  • Um bom amigo perdoa
  • Um bom amigo se lembra de coisas que são importantes para você (como o seu aniversário, a sua festinha, etc)
  • Um bom amigo gosta de brincar com você e ver você sorrir
  • Um bom amigo faz coisas bacanas pra você como desenhos, jogos, te chama pra brincar, não te exclui…
  • Um bom amigo respeita quando você diz NÃO
  • Um bom amigo se interessa quando você está triste e tenta te ajudar
  • Um bom amigo te apóia e te defende
  • Um bom amigo te ensina coisas novas, te escuta e aprende com você também
  • Um bom amigo não te deixa sozinho
  • Um bom amigo não mente e não te estimula a mentir para ninguém
  • Um bom amigo conversa, conta o que está sentindo e tenta resolver os problemas sem brigas

Teriam muitas outras coisas para incluir nesta lista e ás vezes, elas surgem no meio de conversas ou quando o Pedro chega em dúvida sobre um coleguinha que fez algo que ele não gostou. E é claro que eu não pretendo com esta lista excluir pessoas do roll de amizades dele ou tornar ele uma pessoa super crítica ou seletiva demais afinal, pessoas perfeitas não existem e se existem devem ser super chatas!

A idéia desta lista é fazer com que ele reconheça atitudes nele e nos outros que não estejam sendo legais e assim, possa se defender ou entender como resolver os conflitos que naturalmente vão surgir destas relações de amizade.

Quando ele se coloca nesta posição e se pergunta se está sendo um bom amigo para os outros ele consegue fazer uma auto-análise que o ajuda com a tomada de decisões, senso de justiça e igualdade e principalmente, não ficar preso em frustrações por pessoas que apenas não querem ser bons amigos.

Porque isto também acontece, né?

O Pedro é daquelas crianças que onde vai já sai fazendo amizade, se apresenta, quer brincar junto, quer se entrosar, e nem sempre as outras crianças são tão receptivas e ás vezes, quando ele insiste em ser amigo de alguém que não quer ser seu amigo, acaba se magoando e por isso, acho que também é muito importante ensinar ao meu filho que nem todo mundo quer ser amigo dele e isso não é um problema COM ELE.

Isso faz parte do que chamamos humanidade, nem todo mundo vai se entrosar e ser amigos pra sempre, mas todo mundo precisa se respeitar e ser gentil uns com os outros.

É claro que o Pedro não é nenhum santinho! Ele é uma criança como qualquer outra e de vez em quando, esquece tudo isso que eu estou sempre falando e acaba perdendo a paciência com as outras crianças que não estão interessadas em serem bons amigos, mas muito interessadas em praticarem o bullying e serem pentelhas!

Nestes casos, eu tenho insistido com ele que dialogar é sempre o melhor caminho até que não exista mais espaço para isso. E quando este momento chega, é hora de ele se afastar e procurar ajuda de um adulto.

Não tem sido fácil! Esta semana mesmo ele está de castigo porque perdeu a paciência com um coleguinha no transporte escolar e os dois acabaram batendo boca e até se agredindo!

Mas eu acho que é preciso ensinar, repetir e reforçar todos os dias, igual quando ele era bebê e eu tinha que repetir 500x por dia “NÃO MEXE AÍ!” só que agora, as frases são mais compridas e demandam maiores explicações!

A minha esperança é que ele possa ser no futuro o bom amigo que muitas vezes eu quis ter e não tive, o bom amigo que de vez em quando eu tinha a sorte de encontrar e o bom amigo que reconhece quem não é um bom amigo e segue em frente sem pensar que o errado é ele.

Talvez, insistindo nisto com meu filho, ensinando pra ele o que nunca ninguém me ensinou, eu possa aprender também e parar de me magoar com as pessoas erradas e assim, ser uma amiga melhor também!

Afinal, a maternidade é isso mesmo, ensinar enquanto se aprende, com a consciência de que cada erro pode ser sem volta e sem esquecer que é possível pedir ajuda aos universitários, e dar um tempo no descanso do tabuleiro!

Ás vezes, eu morro de saudades de apenas trocar fraldas…

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Comentários

1 comentário via blog

  1. Gabriela comentou em

    Oi,
    Adorei o post (meu filho tem a mesma idade do seu!)
    Tem alguma dica de livro infantil sobre esse tema?
    Bj