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Celular para crianças: sim ou não?

Antes de começar a escrever este post, quero deixar claro que, quando eu digo celular para crianças eu estou querendo dizer, dar um celular MESMO para a criança!

Não aquela coisa de deixar o seu pequeno ver um filminho no SEU celular enquanto vocês estão no restaurante, na espera do pediatra ou em qualquer outra situação em que você precisa que ele fique quietinho. Também não quero dizer aqueles momentos em que você deixa ele jogar um joguinho, seja pelos mesmos motivos que citei anteriormente ou porque você não vê mal nisso.

Não!

Eu não quero levantar a discussão sobre deixar ou não deixar crianças PEQUENAS (leia-se menores de 5 anos) terem ou não terem acesso aos smartphones e toda sorte de aplicativos, filminhos e afins do entretenimento que estes aparelhos podem proporcionar.

Tô querendo dizer sobre dar MESMO um celular para a criança, um celular que seja dela, de responsabilidade dela, um que terá um número só dela, sabe?

Quando o Pedro me pediu um celular pela primeira vez, ele deveria ter cerca de 7 ou 8 anos. Alguns coleguinhas da escola tinham e ele também queria um. Perguntei para quê ele precisava de um celular, e ele disse que queria jogar os joguinhos que ele jogava no meu celular, em um celular que fosse só dele.

Expliquei, meio por cima, que um celular era uma responsabilidade. Que não servia apenas para jogar, que ele também servia (vejam só, que incrível!) para ligar e falar com as pessoas, e que ele não tinha idade AINDA para ter um celular.

Ele me perguntou quando é que ele teria idade, eu chutei uns 10 anos porque, na época, julguei que aos 10 anos ele já teria maturidade suficiente para encarar esta responsabilidade. Encerrei a questão dando para ele e a irmã, um antigo tablet (IPad) que tínhamos aqui, onde ele poderia jogar os joguinhos e ver os filminhos, sob supervisão, claro!

Quando completou 9 anos, ele veio me pedir o celular de novo! Desta vez, ele queria o aparelho porque queria ouvir músicas e tirar fotos! Eu disse que o tablet também fazia estas coisas, mas ele argumentou que era muito grande!

Perguntei, para onde ele achava que ele iria carregando um celular? Na escola em que eles estudam, celulares são proibidos! Ele nunca sai de casa sem o pai ou a mãe então, ele não precisava ser “localizado” por ninguém…

Que mãe chata, né?

Resolvi ceder (um pouco) aos apelos dele fazendo um “test drive” com um antigo celular que tínhamos por aqui e que chamávamos de “celular da casa”! Este aparelho ficava quase sempre desligado e somente quando eles iam para a casa da avó, ou em festinhas com os tios onde eu e o pai não estaríamos, eles podiam levar o celular para falar com a gente.

Mas este aparelho era “da casa”, e não dele!

Ele não ficou 100% satisfeito mas, gostou! Melhor que nada, né? Começou a descer para brincar com os amiguinhos aqui do condomínio com o celular e então, o test drive foi por água abaixo!

Querer descer para brincar levando junto um celular, implicava em estar usando roupas com bolso para que ele fosse acomodado ou, descer com alguma mochila ou bolsinha. O celular, que normalmente estava no bolso, caía sempre no chão e já estava funcionando mal de tantas quedas!

A solução encontrada por eles para o celular não cair mais no chão, foi levar a bolsinha! Mas a bolsinha acabava esquecida em algum canto e então, mesmo que eu ligasse para eles, eles nunca atendiam!

Resolveram deixar o celular sem bolsa, num canto! Para que pudessem ouvir ao tocar, e o que aconteceu? Esqueceram o celular e perderam!

Pra mim o test drive serviu para mostrar que não, eles não precisavam e não estavam maduros suficientes para ter um celular. Para eles, especialmente o Pedro, serviu para mostrar que a responsabilidade de “cuidar” de um celular era a maior chatice!

Caso encerrado!

Este ano, ás vésperas de completar 10 anos, ele me pediu de novo um celular! Desta vez, ele queria um celular que fosse só dele, do qual ele cuidaria, onde poderia ouvir música, tirar fotos, ver filminhos, trocar mensagens com os amigos, ligar pra gente…

Lembrei a ele toda a odisséia do test drive do celular, disse que não compraria um aparelho novo para ele deixar cair ou perder e então, depois deste papo, resolvi ceder ao presente de aniversário, com algumas regras!

Sim porque, é isso que eu disse lá em cima! Dar um celular para ELE, um que seja somente DELE, era dar na mão dele tudo o que a internet e a tecnologia têm para oferecer. E aí, será que ele estava preparado para isso? Será que EU estava preparada para isso?

Tenho pavor de pensar em pessoas estranhas entrando em contato com o meu filho, lhe tirando informações ou influenciando para alguma coisa. E sim, eu confio nele muito! Mas apesar de ele ficar bravo quando eu digo isso, ele ainda é apenas uma criança!

Suscetível a fantasias, mentiras, manipulações, bullying…

Desde que me tornei mãe, sempre acreditei que a melhor maneira de proteger os meus filhos deste mundo era orientando, informando, deixando tudo muito claro e criando regras!

E por mais que eu acredite que tenho feito um bom trabalho, quando chega este momento de colocar a prova tudo isso, dá um medinho! Mas os filhos crescem, graçadeus! E eles não ficarão no ninho para sempre então, o jeito é confiar! Em nós mesmas e principalmente, neles!

Discutimos as regras do celular e chegamos nestas aqui:

  • Não pode levar o celular para escola!
  • Não pode jogar joguinhos ou fazer maratona na Netflix durante os dias de semana!
  • Não pode jogar joguinhos online onde haja possibilidade de bate papo entre os jogadores (vai saber quem está do outro lado se passando por criança!)
  • Não pode assistir nada no YouTube sem supervisão! (vou fazer um post depois só pra falar desta praga do YouTube!)
  • Criança não tem redes sociais! Elas são para maiores de 18 anos!

Além das regras, ensinei pra ele como funciona o celular, as questões de WiFi e internet 3G, consumo de dados, custos de ligações e SMS, a necessidade de colocar ele para carregar a bateria e outras coisas básicas inerentes ao uso diário do aparelho.

Outra coisa que achei bem importante conversar com ele, foi o fator privacidade! Por causa do blog, eles já estão bem acostumados com as minhas “regras de fotos” onde nunca publicamos o uniforme/nome da escola, placa do carro, endereço de casa, documentos pessoais…

Somadas a esta noção de cuidado online, falei sobre o fato de ele precisar respeitar a privacidade das pessoas que ele desejava fotografar ou filmar. Agora que ele tem uma “câmera” na mão, precisava saber que tirar fotos de qualquer pessoa em situações constrangedoras ou de intimidade, não era legal!

Na dúvida sobre uma foto ou vídeo, ele deveria perguntar às pessoas retratadas se tudo bem fazer aquele registro!

Eu sei que pode parecer bem rígido, talvez alguns de vocês me achem uma louca chata mas, aqui em casa, as coisas sempre funcionaram deste jeitinho. Sempre procurei estabelecer regras claras e limites para qualquer coisa!

Isto me ajuda a manter a “ordem” e mais importante de tudo, o fato de estar sempre muito claro traz confiança para todos nós. Aquela coisa de “o combinado não sai caro”, sabe?

Claro que estamos sempre dialogando e uma ou outra “regra” pode mudar, e e isto é outra coisa que é muito importante por aqui: as regras não são nunca criadas apenas por mim e estabelecidas sem prévio diálogo e “debate”.

Todo mundo conversa e chega num acordo junto! Todo mundo sempre sabe os “porquês” de todos os sims e nãos, e isso tem facilitado muito a minha vida!

Não vou negar para vocês que esta nova fase das crianças está sendo muito desafiadora, ainda que pareça que o meu “sistema de regras” funcione perfeitamente. Claro que não é assim! Eles têm sim seus momentos de rebeldia, seus momentos de “que saco, mãe!” e eu tenho meus momentos de “porque sim!”e “você não é todo mundo!”, mas acho que faz parte!

Se eu tenho medo da adolescência? Morro!

Mas tô confiante que amor, compreensão e se colocar nos sapatos dos filhos de vez em quando, ainda são a melhor maneira de conseguir seguir em frente nesta tarefa mais difícil da humanidade que é criar outros seres humanos!

E por aí? O celular tá liberado?

Bjs! ;)

tweens

Meu aborrescente mais amado! <3 Moya dusha!

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Comentários

4 comentários via blog

  1. Karin Petermann comentou em

    Oi Loreta,
    Muito bacana seu texto… e bem inspirador… para quando eu enfrentar essa situação! hahaha…
    Por aqui, ainda o meu filho mais velho não pediu celular! Ufa!!!

    Ele gosta de fazer vídeos, mas o jeito dele com o tablet.. até já importou um vídeo para o youtube no modo privado e fica feliz por isso.
    Também aderimos às regrinhas de que não podemos mostrar os uniformes, para manter a privacidade e segurança deles.

    Achei bem interessante a sistemática de como o Pedro vai poder lidar com o celular. Não achei rígido… apenas coerente com o mundo que vivemos atualmente.
    Antes não podíamos conversar com estranho (pessoalmente) agora eles tem que ter noção de que o perigo está escondido atrás de outra tela.

    Muito legal o post. Obrigada por compartilhar suas experiências.

    Com carinho,
    Karin Petermann

  2. Sol comentou em

    Uau \o/
    para nós Mães, Zelosas, Cuidadosas e Amorosas.

    Vamos dando espaço aos nossos pequenos grandes heróis e seguindo junto para que essa caminhada seja abençoada!

    Tenham todos um bom dia!

    Loreta, amei a matéria “Celular para crianças: sim ou não?” Passamos por dúvidas, medos parecidos.

    Amamos Nossos Filhos. Eles são as Nossas Vida!

  3. June comentou em

    Esse tema é muito complexo neh?! O que é certo para uns pais, para outros já se torna totalmente errado. Na minha opinião eu não daria para a minha tão cedo, porém tudo muda conforme o tempo e condições. Mas eu ainda acredito que ter uma infância sem estar totalmente ligada a tecnologia é uma boa, rs. Uso ela sim, porém sempre a meu favor, nas horas necessárias. Eu também morro de medo quando a minha filha entrar na adolescênia, afff, dá medo só de pensar..rs..parabéns pelo excelente texto.