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Cadê a minha aldeia?

Já falei muito por aqui sobre a importância de ter pessoas que nos apóiam na caminhada da maternidade, a importância de uma rede de apoio, de uma aldeia mesmo!

Gosto muito daquela frase que diz que “é preciso toda uma aldeia para criar uma criança” e não quero parecer mal agradecida e nem nada do tipo mas, ando me perguntando: cadê a minha aldeia?

Fico pensando nas questões práticas da rotina de quem é mãe e precisa cuidar da sua família, coisas que parecem bobas e corriqueiras mas que seriam muito mais fáceis se eu tivesse uma aldeia…

Como as aldeias que eu acho que existiam antigamente!

Eu digo “eu acho” porque eu sempre penso que quando estamos no futuro falando do passado, ele sempre parece muito mais bacana do que realmente foi, e quando estamos no presente sempre acreditamos que as coisas estão muito mais difíceis do que elas realmente são e assim, as percepções confundem um pouco a realidade e por isso, sempre tomo cuidado ao tratar das coisas de ontem e de hoje..

Mas não era isso que eu ia dizer!

Estava dizendo que, dentro das minhas percepções, sinto falta de uma “aldeia” que poderia me apoiar e ajudar com coisas bem simples mesmo, mas que fariam muita diferença na minha vida e na vida da minha família, sabe?

Por exemplo, eu queria muito ter um grupo de avós, tias, parentes que me dessem dicas sobre como escolher lençóis para a minha cama!

Parece uma bobeira mas, até eu descobrir a quantidade certa de fios de algodão que um lençol precisa ter para ser confortável para mim, eu gastei muito dinheiro com roupa de cama que era áspera demais ou cheias de “fru-frus” desnecessários, será que tinha que ser assim mesmo?

Ainda pensando sobre lençóis e roupas, como eu queria alguém que ensinasse todas as dicas e truques sobre como tirar manchas, como deixar aquele cheirinho incrível de roupa lavada, como pendurar do jeito certo pra não ter que passar…

Sinto muita falta de uma canção de ninar, ou de estórias e lendas que andam de gerações em gerações dentro da família, ou de uma oração, uma reza brava, um banho de fechamento de corpo, uma mandinga… Qualquer superstição ou fé que não faça sentido, até que faça de tanto que a gente acredita!

Queria uma receita de bolo da vovó que é sempre certeira para as tardes de lanche, ou aquela canja de galinha bem boa que cura qualquer coisa, ou um chá que acalenta e ninguém sabe direito o que vai dentro dele…

Que saudades de ter alguém para me tricotar blusas de frio, meias de inverno, toalhas de mesa e capa de filtro da cozinha! Ou uma parente costureira prendada que me fizesse vestidos ou fizesse aos meus filhos, como eu tive na minha infância!

Onde estão aquelas primas, tias, amigas que passavam a tarde cuidando dos cabelos umas das outras, ensinando truques de maquiagem, de penteado, de esmaltes, de perfumes…

E antes que vocês me perguntem se eu não tenho/tive uma mãe pra me ensinar tudo isso, não! Não tenho!

E tô fazendo as coisas do meu jeito e descobrindo tudo sozinha, quer dizer, não sozinha exatamente porque o pai dos meus filhos é daqueles parceiros de verdade que está do meu lado procurando e descobrindo também. Mas cadê as outras mães?

E sim, eu sei que eu posso encontrar todas estas informações na internet e que o que não falta são grupos de Facebook e canais no YouTube que podem até substituir um médico, um pai de santo, um psiquiatra e o que mais você precisar.

Mas cadê o calor humano?

Talvez eu esteja carente, talvez eu esteja saudosa de algo que nunca vivi, talvez seja só uma fantasia de um passado que as pessoas enaltecem mas que na verdade nunca foi assim, mas eu sinto falta!

E é claro que talvez a culpa da minha pseudo-solidão seja apenas minha, talvez eu tenha afastado amigos e parentes sem perceber, mas tenho uma sensação de que todo mundo anda sempre tão ocupado, tão cheio de tarefas, tão conectado, tão resolvendo tudo pela internet que eu prefiro não incomodar…

Sim, a minha aldeia digital é enorme! Sim, escrever aqui me alivia e afinal, também estou aqui reclamando na internet, né? Mas nada disso substitui o calor humano, as relações humanas que estão cada vez mais em segundo plano…

E eu só vim reclamar aqui porque na verdade estou com medo! Medo de não ter competência o suficiente para mostrar para os meus filhos que bater os dedos nas teclas é legal mas que um abraço apertado é muito melhor!

Medo porque eu não sei se ao ensinar aos meus filhos sobre relações humanas eu abro portas para que se magoem e se ao não ensinar, eu não permito que aprendam sobre a importância de amar ao próximo, de verdade!

Porque amar o próximo no perfil do Instagram é bem fácil, te incomodou? Unfollow! Mas viver as amizades e as relações no dia a dia, ter que olhar para as pessoas cara a cara e tentar esconder sentimentos ou colocar todos eles pra fora, é difícil! Mas necessário!

Será que eu estou viajando?

Acho que tenho direito a uma insegurança de vez em quando, todos temos! E eu precisava dizer que neste momento, eu só queria uma aldeia, de pessoas de verdade e sem perfis com fotos no melhor ângulo, pra me dizerem que eu estou cheia de razão ou maluca da cabeça!

Qualquer coisa, mas que fossem palavras, e não letras digitadas…

sozinha

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Comentários

2 comentários via blog

  1. Lívia Michio comentou em

    Ai, Loreta, vc me representa!!!
    Também sinto falta de uma “aldeia”… :(

    Adoro seus textos!!
    Força na peruca, migs!!

    1. Loreta Berezutchi respondeu Lívia Michio em

      Tem dias que a gente só queria morar num abraço, né? Obrigada amore!! Bjs! ;)