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Brincadeira de menino

Pode até parecer que estou repetitiva, que o tema do blog é só este mas, o assunto está tão na minha cabeça que acho natural que eu esteja prestando mais atenção nestas questões, sabe?

Olha só o que aconteceu aqui em casa…

Eu nunca nunquinha disse para os meus filhos “isto é brincadeira de menino” ou “isto é brincadeira de menina”. A medida em que eles foram crescendo, sempre estiveram brincando juntos, encontrando os mesmos desafios e dificuldades, sem nenhuma limitação por gênero.

Daí que, o Pedro sempre brincou de casinha com a irmã, de comidinha, de Barbie, de bonecas, de escolinha… e pra ele é muito natural participar destas brincadeiras com outras meninas também!

brincadeira de menino

As amiguinhas da Cacá também são amigas dele e como eles têm pouca diferença de idade (apenas 2 anos) os interesses deles são sempre muito parecidos!

Este final de semana, o Pedro e a Cacá desceram aqui no playground do condomínio para brincar com os amigos. Chegando lá, estavam apenas as meninas, 2 delas + a Cacá, e o Pedro era o único menino.

Como sempre, ele nem deu atenção a isso, se juntou a elas e começaram a brincar de fazer comidinhas com florzinhas e grama do jardim (o zelador ama #soquenão hehehe) e estava tudo bem!

Ficaram brincando assim, todos juntos e na paz por mais de 2h seguidas até que, um outro amiguinho da turminha resolveu aparecer por lá e daí, pronto! A transformação aconteceu!

O meu filho que sempre brinca com a irmã e as outras meninas de qualquer coisa, assim como elas sempre brincam com ele de tudo, de repente se transformou num machistinha dizendo coisas como: “esta brincadeira é de menininha!”,  “Isto é um saco!”,  “Você é uma boba!” e inclusive brigando e maltratando a irmã e as amigas!

Eu fico louca da vida!!

A gente tá aqui, diariamente educando, ralando, falando, corrigindo, explicando e dando exemplos para que os filhos sejam sementes do bem e vem as interferências externas para colocar todo o nosso trabalho a perder?

Vocês já tiveram esta sensação? De que o mundo inteiro está conspirando para que o seu trabalho como mãe seja um fracasso?

Sabe, eu sei que não sou perfeita! Eu sei que ás vezes posso tomar decisões erradas na educação dos meus filhos e sei que as outras mães podem concordar ou discordar de mim, mas eu também sei que estou sempre fazendo o meu melhor, que todas as vezes que errei foi tentando acertar usando tudo o que eu tenho de informação e capacidade!

Daí, vem o “mundo” envenenar o meu filho? Ah, não!

Quis entender direitinho a história e o por quê do comportamento do meu filho, ele contou a versão dele, a Cacá contou a versão dela e tudo ficou claro!

Quando o tal menino apareceu por lá, ele queria que todos fossem brincar do que ele queria brincar mas, todos estavam envolvidos com a brincadeira que já estava rolando e assim, não toparam a sugestão dele.

Não conseguindo persuadir toda a turma (composta por mais meninas que meninos) ele apelou para o único outro menino do grupo buscando um apoio de gênero e dizendo para o meu filho que aquela brincadeira lá era chata, era “de menina” e que ele não podia ficar brincando com “as menininhas”!

Ou seja, o garoto veio com o discurso machistinha, que ele provavelmente só está repetindo e nem entende o que significa de verdade, e tentou levar o meu filho para o lado negro da força!

Mas aqui não!

Depois de entender toda a história, fiz o Pedro e a Cacá caminharem na linha de raciocínio que mostrava pra eles todos os acontecimentos daquele momento e assim, ele mesmo chegou a conclusão sozinho de que, se deixou influenciar negativamente por um “amigo” que ao fazer este tipo de coisa com ele se provou não tão amigo assim!

E como resolver a questão?

Já que a atitude do Pedro e do “amigo” dispersaram a turminha e acabaram com a tarde de brincadeiras, o pai fez o Pedro ir bater de porta em porta, andar por andar, na casa de todas as amigas para pedir desculpas!

Desculpas aceitas, todos puderam descer para brincar mais um pouco! O garoto, irritado, subiu e não desceu mais e isso não foi motivo de alegria pra mim!

Porque eu penso que, este garoto passou o resto da tarde se sentindo sozinho, isolado, preterido… E eu não conheço a família dele para dizer se ele voltou pra casa e se divertiu por lá, se contou ou não contou aos pais o que aconteceu, se os pais dão a mesma importância que eu pra isso, ou mesmo se o próprio garoto sofreu de verdade!

A única coisa que eu sei com certeza é que, apesar de o garoto ter tentado envenenar o meu filho e carregá-lo para o lado negro, eu sei que ele é inocente! E já disse ao Pedro e a Cacá que, quando ele descer para brincar, eles não devem isolá-lo ou não falar com ele, mas convencê-lo a brincar com eles, do que eles estiverem brincando!

Eu confio nos meus filhos e sei que eles sabem reconhecer o que é uma brincadeira legal e o que é uma brincadeira que não é legal (claro que dentro de suas capacidades etárias emocionais) e por isso, acredito que se o garoto pode envenenar pro mal, eles também podem “envenenar” pro bem!

E ainda se partirmos do ponto de vista da sororidade, não é meu papel julgar o trabalho que a outra mãe está fazendo com este filho que tem este tipo de atitude. Mas é meu papel como mãe DOS MEUS FILHOS, mostrar a eles que o acolhimento e a compaixão podem ser as armas mais poderosas do mundo!

Criar filhos dentro de uma redoma seria com certeza muito mais fácil, mas isso é impraticável! O mundo está aí, tentando carregar todos eles para o lado negro, “atacando” as escolhas que fazemos como mães e tentando nos convencer que “é assim mesmo”, e eu sei que muitas vezes esta batalha diária parece estar perdida!

Mas toda vez que vejo meus pequenos cometerem atos espontâneos de generosidade e bondade, eu sinto que tudo vale a pena! E ser mãe é amar sem desistir!

Então, podem vir imperadores do mal, a Força é forte aqui em casa e vamos resistir! ;)

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