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Uma fábrica de amor! – Parte I #branditour

Quem me acompanha pelo instagram (@bagagemdemae) viu que, no começo deste mês, eu fui convidada pela Brandili para participar do #Branditour.

Eu e mais algumas blogueiras, iríamos até Santa Catarina para conhecer ao vivo e de pertinho, todo o processo de criação das roupas que chegam até os nossos filhos. Além disso, a Brandili, queria contar um pouco da sua história pra gente, e explicar porque o “amor pela criança” é o sentimento que norteia tudo o que eles fazem.

Bom, quem me acompanha faz tempo sabe que, meu “caso de amor” com a Brandili é antigo! Eles vestem os meus filhos desde bebês, foram uma das primeiras empresas a acreditarem e respeitarem o meu trabalho aqui no blog, acompanham o crescimento das crianças desde sempre, com muito carinho e amor de verdade, sabem os nomes, os apelidos, as preferências, os tamanhos, eu brinco que, a equipe de marketing querida da Brandili, são como as tias lá de Santa Catarina para as crianças (e a Cacá ama saber que existe um Estado que tem o nome dela, hahaha).

Só por isso tudo que eu disse aí em cima, já estaria mais que óbvio que eu aceitaria o convite com toda certeza mas, tem algo a mais. Eu acho que nunca tive a oportunidade de falar muito sobre a minha própria infância por aqui, só uns exemplos aqui e acolá e por isso, hoje, eu decidi contar um pouquinho de mim, quando criança, pra vocês entenderem por que eu aceitei o convite e por que ele foi tão especial pra mim.

Os meus pais se divorciaram quando eu tinha 6 anos, no “esquema” deles de tutela das crianças, minha mãe ficou responsável por nós mas, as férias, eram períodos que passávamos com o meu pai. Logo depois do divórcio, o meu pai voltou a morar com os meus avós, em uma cidadezinha no interior de SP que faz divisa com o Paraná, Taquarituba.

Era muito difícil pra mim, não poder mais ver e falar com o meu pai todos os dias, conversávamos por cartas a semana toda, eram muitas cartas mesmo, quase todo dia chegava uma dele e eu mandava uma de volta, eu contava os dias para chegar as férias de julho, eram as minhas férias prediletas porque, além de passar todos aqueles dias com o meu pai, eu ia fazer isso na casa dos meus avós, um lugar encantado!

Meus avós são imigrantes italianos, eles chegaram ao Brasil para trabalhar nas lavouras de café, com 6 filhos e pouco dinheiro, meu avô comprou um terreno pequeno e construiu uma casa simples, de tijolo de barro, com 3 cômodos para acomodar toda a família.

Minha avó, levava as crianças para o cafezal junto com ela durante o dia, ela não tinha com quem deixar e por isso, eles cresceram correndo e brincando no meio do café, aprendendo a peneirar e colher e todas estas coisas.

Conforme meu avô foi ganhando mais dinheiro, ele foi aumentando seu terreno, comprando os terrenos em volta e então, ele e minha avó começaram a plantar a própria comida. Aos poucos, o terreno do meu avô ficou enorme e então, ele construiu uma casa maior e mais bonita e deixou a casinha pequena lá, ela virou uma oficina.

No terreno enorme do meu avô, tinha de tudo: plantação de legumes, verduras, horta, frutas, plantas medicinais (que minha avó fazia chás, emplastros, pomadas e curava qualquer coisa que você pudesse imaginar ter, só com as ervas mágicas), árvores de manga, de abacate, laranja, limão, videiras, morangos, temperos, galinheiro e no fundo do terreno, um pequeno cafezal, de onde eles colhiam, torravam e moíam o próprio café e um pequeno taquaral, de onde meu avô tirava material para criar peneiras, cestas, varas de pesca, e mais uma porção de coisas.

Minha avózinha com suas flores! O jardim da frente e o jardim de ervas “de remédio” eram os únicos lugares que éramos proibidos de fuçar! hihihi

Imaginem uma criança, criada em apartamento, passando férias em um lugar assim? Era de pirar! Meus avós plantavam praticamente tudo o que consumiam e eu adorava ajuda-los a colher, moer e descobrir em que todas aquelas coisas podiam se transformar.

Da oficina do meu avô, saíam carrinhos de madeira para os meus primos, casinhas de boneca, cadeirinhas de balanço, cestinhas de picnic, vassourinhas, rodinhos, carrinhos de rolimã… Ele fazia balanços de pneus pra gente e ajudava eu e meu primo a planejar e construir as milhares de casas na árvore que nós tivemos. E apesar de parecer que, com todo este quintal maravilhoso, o melhor da casa era a parte externa, para mim, o lugar mais especial ficava dentro!

Era o quartinho de costura da minha avó! Ela nunca me deixava entrar lá sozinha, tinha medo que eu me machucasse com as agulhas, tesouras e máquinas de costura. Mas toda vez que ela me chamava pra acompanhar ela no quartinho, e eu atravessava aquela porta mágica, era como se eu entrasse em outra dimensão!

Dentro do quartinho de costura da minha avó, tinham muitas prateleiras cheias de potes de vidros com todos os tipos, cores, tamanhos e materiais de botões, pra mim, eram como pedras preciosas de um tesouro pirata! A máquina de costura da minha avó, era daquelas Singer, preta e dourada, com mesa de madeira e imponentes pernas de ferro bem rebuscadas.

Além dos botões, ela tinha muitos retalhos e tecidos, minha avó é daquele tipo que nunca usou calças na vida, e ela fazia os próprios vestidos, sempre em modelo envelope, ou modelo avental, com botões lindos na frente e muitos detalhes bordados nas golas, mangas e barras.

Ela fazia aventais iguais, pra mim e pra ela pra eu poder ajudar, fazia colchas de patchwork com os retalhos, capas de almofadas, xales de sofá, tapetes e até cortinas de fuxico. Aos poucos, ela me ensinou a pregar botões, zíperes, fazer o fuxico, dar pontos simples, invisíveis, alinhavo, costurar detalhes bordados, desenhar moldes e cortar no tecido.

Uma vez, eu cismei com a estampa de um lençol, ficava pra cima e pra baixo com o lençol enrolado no corpo, como se fosse um vestido. Um dia, ela me chamou no quartinho, tirou minhas medidas e 2 dias depois, lá estava um vestido de verdade, feito com o lençol que eu tanto amava!

Outra época, eu estava cismada com bailarinas, queria tudo que fosse de bailarinas e toda vez que meu pai me levava pra comprar uma roupa, eu procurava logo por estampas de bailarina, e nunca achava o que eu queria. Daí, ele comprou uma camiseta com uma estampa de bailarina, ficou semanas estudando ela, depois desenhou, fez testes e mais testes e aprendeu a arte do silk-screen, que é a estamparia manual, com várias telas que transferem o desenho para o tecido, de acordo com a cor de tinta que você quer usar.

Quando ele me mostrou, eu vibrei de alegria! E ele desenhou muitas outras bailarinas, e ursos, e princesas, castelos e me deixava desenhar também, e criava telas com os meus desenhos, e eu tinha as minhas próprias e exclusivas estampas! Era demais!

Por causa da minha obsessão pelas bailarinas, meu pai aprendeu o silk-screen e, 1 ano depois, nas próximas férias quando cheguei na cidade, ele me levou para conhecer sua pequena empresa, uma estamparia. Ele trabalhava com estampas simples, fazia os uniformes das escolas da região, junto com uma sócia, a estamparia tinha 5 costureiras, que montavam as camisetas, o meu pai e 1 assistente que faziam o silk e a sócia que fazia as vendas e as entregas.

Eu morri de orgulho do meu pai, porque logo depois do divórcio dele e da minha mãe, ele entrou em uma depressão profunda, e passava os dias na oficina do meu avô só desenhando, e chorando, e as coisas só melhoravam, quando chegavam as férias e eu estava por lá e por isso, eu me preocupava em mandar tantas cartas, porque não queria que ele pensasse em nenhum minuto que não era amado!

Na pequena estamparia, eu ganhei mais peças de roupas exclusivas, tinha minhas próprias estampas e também, meus próprios modelos, já que as costureiras adoravam quando eu aparecia por lá com idéias mirabolantes de vestidos, lençóis e botões da minha avó e elas podiam fazer alguma coisa diferente que não era costurar camisetas brancas o dia todo! hihihi

Naquela época, eu disse pro meu pai que, dali uns anos ele poderia ter uma confecção maior, e eu seria a estilista e ele me explicou que uma fábrica têxtil era muito maior que aquilo, mas que eu poderia ter e ser o que eu quisesse, era só aprender e me dedicar.

Os meus avós e o meu pai, me ensinaram que, não há nada que a gente queira que não possamos aprender e criar para nós mesmos. Desde a comida, que pode ser plantada, até brinquedos, roupas e muito mais.

Eles passaram pra mim esta herança de que, tudo que é feito pela gente com amor, carinho e pensando no próximo, sempre funciona melhor. E é por esta e várias outras razões, que eu sempre prefiro fazer ao invés de comprar, e quando compro, quero comprar de quem faz com amor, de quem cria do mesmo jeito que meus avós sempre criaram: cheios de carinho e respeito ao próximo.

No ano passado, o meu avô morreu, eu não pude visitá-lo antes, mas ele sabia o quanto eu o amava! Eu disse pra ele, diversas vezes, o quanto eu aprendi com ele e como era grata por tudo o que ele havia me ensinado, só com seus exemplos. Ele viveu muito, até os 92 anos ainda andava de bicicleta, ia na missa todos os domingos, plantava e colhia o próprio café, e como ele não tinha uma vaca, fazia escambo de ovos de galinha e legumes, por jarros de leite com um vizinho que não tinha galinhas e legumes.

A cidade dos meus avós cresceu em volta da casa deles, hoje ela está na rua principal, que quando eles chegaram lá, era apenas um terreno cheio de barro e “terra vermelha”, como eles chamam por lá. Minha avó continua morando lá, já está bem velhinha e quase não escuta o que a gente diz, ela não costura mais seus vestidos, quase não consegue preparar a própria comida, mas ainda faz palavras cruzadas, todos os dias!

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A última fotinho deles juntinhos! A saudade até dói! ;(

Por causa deles, e por causa do meu pai, que por uma outra série de questões mais graves, não conseguiu levar adiante a sua pequena estamparia, eu precisava ir ver de perto como funcionava uma grande fábrica de roupas, eu precisava ir ter certeza de que eu não estava enganada, de que o amor que eu sempre senti em cada delicadeza da Brandili, comigo e as crianças, não era só marketing, era amor mesmo!

E assim, eu fui! Mesmo com os ligamentos do pé rompidos, peguei avião de botinha, me enchi de analgésicos e fui! E como este post ficou imenso, e eu já estou chorando de pensar nos meus avós, vou contar tudo sobre a visita no próximo post, e daí, vocês vão entender melhor ainda, porque eu precisava fazer esta introdução!

Até o próximo! ;)

Captura de Tela 2015-11-25 às 01.13.40

Estilo saci perere, pronta para embarcar!! hihihi

 

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Comentários

1 comentário via blog

  1. Talita Rodrigues Nunes comentou em

    Que história linda, Loreta! Me emocionei com teus avós – saudade dos meus também.
    Obrigada por compartilhar e lembrar de curti-los enquanto podemos!